Tecnologias de geolocalização e imagens de alta resolução auxiliam na preservação da biodiversidade do bioma.
(Imagem: © Fernando Frazão / Agência Brasil)
A modernização das ferramentas de fiscalização e a inserção de inteligência de dados estão transformando as táticas de preservação ecológica nos biomas mais vulneráveis do país. Unidades de Conservação (UCs) inseridas no Cerrado passaram a contar com um ecossistema tecnológico robusto, composto por torres de vigilância com sensores ópticos automatizados e softwares de navegação de campo. As soluções, financiadas no âmbito do Programa Copaíbas, visam dar agilidade e segurança ao trabalho de brigadistas comunitários, reduzindo o intervalo entre o surgimento de um foco de calor e o combate efetivo na linha de fogo.
Algoritmos de detecção e cobertura de grandes extensões
A gestão do programa, conduzida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) com aportes da Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas, foca na redução do desmatamento e no fortalecimento institucional de comunidades tradicionais. Entre as frentes operacionais, destaca-se uma chamada de projetos aberta em 2025 que alocou R$ 5 milhões para ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF). Uma das principais entregas desse ciclo técnico foi a instalação de uma torre de monitoramento com câmeras de alta resolução no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul.
Ao contrário do monitoramento tradicional, que depende de imagens de satélite sujeitas a atrasos de transmissão, o novo dispositivo utiliza algoritmos de varredura visual em tempo real. O sistema analisa padrões atmosféricos e emite alertas automáticos e instantâneos para as centrais de controle assim que as primeiras plumas de fumaça surgem no horizonte. A infraestrutura estratégica montada na região assegura os seguintes avanços:
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Eficiência de Varredura: Monitoramento automatizado que alcança cerca de 90% da área total da unidade de conservação, cobrindo um território de aproximadamente 76 mil hectares;
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Celeridade nos Alertas: Disparo de notificações imediatas para as equipes terrestres, superando o tempo de resposta das consultas de satélite convencionais;
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Capacitação Social: Integração do maquinário com programas de treinamento para brigadistas locais e oficinas de conscientização ambiental nas escolas do entorno;
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Logística de Equipamentos: Compra e distribuição dirigida de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados para o enfrentamento de incêndios florestais.
Conectividade offline e navegação em áreas remotas
O suporte logístico estende-se também ao ambiente de desenvolvimento de software com o aplicativo Caminho do Fogo, concebido pela Rede Contra Fogo. O principal diferencial da plataforma é a capacidade de operar em modo totalmente offline, um requisito fundamental para equipes que se deslocam por gargalos geográficos desprovidos de sinal de internet ou redes de telefonia celular. A ferramenta centraliza dados de geolocalização, registros de ocorrências anteriores e mapas topográficos em uma interface de fácil manuseio.
O aplicativo atua como um diário de bordo digital, registrando de forma automática as trilhas e os caminhos percorridos pelos brigadistas na mata closed, o que assegura uma rota de fuga ou retorno segura para a base em territórios desconhecidos. Em fase avançada de validação em áreas críticas como o Parque Nacional das Emas, em Goiás, e na região de Alter do Chão, no Pará, a expectativa dos desenvolvedores é que a primeira versão oficial do sistema seja lançada em julho de 2026. A base de dados gerada em campo poderá ser exportada e integrada diretamente aos sistemas de monitoramento dos órgãos ambientais de fiscalização do governo federal.