Usuários e profissionais da saúde mental de Campina Grande realizam apresentações de quadrilha na Pirâmide do Parque do Povo
(Imagem: Foto: Codecom / Prefeitura de Campina Grande PB)
A ocupação dos espaços públicos e o direito ao lazer consolidaram-se como pilares fundamentais na reabilitação terapêutica e na promoção da cidadania no Agreste. A Prefeitura de Campina Grande, sob a coordenação integrada da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria Executiva de Saúde Mental, promoveu na tarde desta sexta-feira (19) mais uma edição do Arraial da Saúde Mental. O encontro festivo ocupou a Pirâmide do Parque do Povo, reunindo centenas de usuários, familiares e equipes multiprofissionais que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) local.
A festividade, perfeitamente alinhada ao calendário oficial d'O Maior São João do Mundo, funcionou como uma vitrine do modelo de assistência humanizada adotado pela gestão municipal. Detentora da maior cobertura per capita de assistência mental do país, a cidade transformou a ala cultural da festa em um polo de protagonismo para os pacientes, estimulando a expressão artística e o fortalecimento dos vínculos comunitários fora do ambiente ambulatorial tradicional.
Programação artística e homenagem à Reforma Psiquiátrica
A abertura dos festejos foi marcada por recitais de poesia matuta, abrindo caminho para uma sequência de intervenções culturais organizadas pelas diferentes unidades de acolhimento da cidade. O público pôde acompanhar apresentações estruturadas de dança, música e artes cênicas:
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Dança Junina: Exibições da Quadrilha Temática do CAPSisinho e da Grande Quadrilha da Rede de Saúde Mental, unindo servidores e assistidos;
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Expressão Musical: Performances da Banda Saber Viver (vinculada ao CAPS AD Saber Viver) e dinâmicas da Oficina de Talentos do CAPS III Reviver;
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Teatro e Poesia: Peça do Teatro Musical do CAPS AD III, encenação "Semeando Sorrisos" do CAPS II Novos Tempos e intervenções do Ambulatório de Saúde Mental.
O ciclo festivo deste ano foi oficialmente batizado em homenagem a Chiquinha, histórica residente de uma das Unidades de Acolhimento Residencial Terapêutico (RT) do município. O resgate de sua trajetória serviu como símbolo prático dos avanços proporcionados pela Reforma Psiquiátrica e pela luta antimanicomial na Paraíba, ilustrando como o acolhimento digno e a desinstitucionalização são capazes de reconstruir identidades e resgatar a autonomia civil de antigos pacientes de longas internações.
O papel da cultura no projeto terapêutico singular
A secretária executiva de Saúde Mental, Lívia Sales, defendeu que o processo de restabelecimento psíquico e psicossocial não se restringe às salas de atendimento ou à dispensação de medicamentos. A gestora apontou que a convivência cultural e a inserção ativa nas festas populares da cidade materializam as diretrizes de liberdade e inclusão que balizam as políticas públicas da pasta, integrando o acesso à arte diretamente ao projeto terapêutico dos indivíduos.
A robusta engrenagem que confere a Campina Grande a posição de referência nacional na área conta com uma infraestrutura descentralizada de média e alta complexidade. A rede municipal é composta pela ala especializada do Hospital Dr. Edgley, oito Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com diferentes modalidades de atendimento, a Clínica Escola Afeto, Residências Terapêuticas, Centro de Convivência, além de Ambulatório de Saúde Mental e do pioneiro protocolo de suporte psiquiátrico de urgência integrado às ambulâncias do SAMU, blindando os direitos humanos na saúde pública.