Equipes intersetoriais e forças de segurança pública debatem estratégias de acolhimento no Posto de Comando Integrado
(Imagem: Foto: Codecom / Prefeitura de Campina Grande)
A salvaguarda dos direitos fundamentais e a garantia de um ambiente festivo seguro para o público infanto-juvenil mobilizam uma grande força-tarefa no Agreste paraibano. A Prefeitura de Campina Grande, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e de sua coordenação da Ação Intersetorial, atua de forma estratégica na proteção de menores durante a programação d'O Maior São João do Mundo. As vistorias e monitoramentos ocorrem de forma contínua no Parque do Povo e também no distrito de Galante.
Uma das principais ferramentas de governança da operação é a reunião de alinhamento e gestão de crises realizada no Posto de Comando Integrado (PCI), localizado na entrada do quartel-general do forró. O comitê gestor se reúne todas as noites no início do evento e conta com representantes das forças policiais, da municipalidade e da empresa organizadora do evento, a Arte Produções. Dependendo do fluxo de público nos dias de grandes shows, múltiplos encontros são convocados na mesma noite para readequar as patrulhas operacionais.
Indicadores de abordagens e o combate ao trabalho infantil
O balanço estatístico detalhado revela a complexidade do cenário enfrentado pelas equipes de assistência social na atual temporada. Em sua 11ª edição no Parque do Povo e 6ª edição no distrito de Galante, a Ação Intersetorial consolidou um total de 136 abordagens específicas voltadas à proteção de menores entre o dia 3 de junho e a última sexta-feira (19).
O mapeamento dos dados foi dividido de forma equilibrada entre as duas principais frentes de entretenimento da cidade:
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Parque do Povo: Registro de 68 intervenções de acolhimento e orientação;
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Distrito de Galante: Contabilização de 66 ocorrências concentradas nos dois primeiros finais de semana de festividades.
Os coordenadores do projeto manifestaram preocupação com o reaparecimento de práticas de vulnerabilidade social que haviam recuado em anos anteriores. Fiscais e assistentes sociais identificaram um aumento atípico nos registros de trabalho infantil de subsistência, incluindo o caso de uma criança realizando a coleta de materiais recicláveis no pátio do evento. Outro ponto crítico monitorado pelas equipes de abordagem diz respeito à identificação de adolescentes em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias proibidas em noites de grande apelo de público.
Estrutura de acolhimento e atuação em rede
Para mitigar esses riscos e oferecer uma resposta imediata a situações de vulnerabilidade, o Posto de Comando Integrado disponibiliza uma sala exclusiva de acolhimento sob a supervisão de psicólogos e assistentes sociais especializados. O comandante do Comando de Policiamento Regional I (CPR I) da Polícia Militar da Paraíba, coronel Hilmário Xavier, destacou que essa infraestrutura de apoio é vital para o trabalho policial, uma vez que a corporação costuma ser o primeiro ponto de contato quando uma criança é encontrada perdida ou em situação de risco.
O secretário da Semas, Fábio Thoma, reiterou que o foco absoluto de toda a rede de proteção municipal é zerar as ocorrências de violação de direitos humanos no perímetro da festa. O gestor pontuou que o monitoramento constante das intercorrências serve para calibrar o posicionamento dos técnicos de rua, transformando a rede assistencial em um escudo social eficiente para que a cultura e a diversão não ocorram às custas da dignidade da infância.