Corporações musicais da Paraíba e de Pernambuco apresentam dobrados e ritmos regionais no Parque do Povo
(Imagem: Foto: Codecom / Prefeitura de Campina Grande)
A pluralidade de gêneros e o resgate das tradições instrumentais ganharam um espaço de destaque na programação do Parque do Povo. A prefeitura local promoveu a realização do II Encontro de Filarmônicas, evento que integra a agenda cultural d'O Maior São João do Mundo. O projeto reuniu regentes, músicos veteranos e jovens aprendizes no Agreste, servindo como um prelúdio especial para o concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica. O foco principal da iniciativa é fomentar o intercâmbio técnico e atuar de forma direta na preservação da memória musical do Nordeste.
A anfitriã do festival foi a Filarmônica Epitácio Pessoa, considerada o patrimônio vivo e o equipamento cultural em atividade mais antigo do município. Para este ciclo de concertos, a corporação campinense dividiu o palco com três instituições musicais convidadas de grande relevância regional:
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Filarmônica Municipal Abdon Tavares: representante da cidade de Serra Redonda (PB);
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Sociedade Musical São Miguel: vinda de Barra de São Miguel (PB);
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Sociedade Musical Novo Século: vinda do polo de Santa Cruz do Capibaribe (PE).
A centenária trajetória da "Sá Zefinha" e o apoio a novos talentos
Fundada em 15 de novembro de 1898 pelo professor Antônio Balbino, a Filarmônica Epitácio Pessoa atravessou mais de um século de transformações sociais. Inicialmente batizada de "XV de Novembro" e posteriormente de "Filarmônica Campinense", a banda ganhou o apelido afetivo de "Sá Zefinha" na década de 1920, uma alusão a uma das suas mais assíduas admiradoras. A denominação atual foi consolidada em 1950, prestando uma homenagem a Epitácio Pessoa, único paraibano a exercer a Presidência da República.
A instituição, que alcançou projeção nacional ao conquistar o vice-campeonato do 1º Concurso Nacional de Bandas em 1977, é gerida pela estrutura administrativa municipal. Atualmente, a orquestra é liderada pelo diretor Rivanildo Barbosa Pereira, pelo secretário executivo Marcos Fabrício e conta com a regência compartilhada dos maestros Wellington Silva e Wamberto Pereira.
Tradição revitalizada e patrimônio imaterial da Paraíba
O encontro também abriu espaço para relatar histórias de superação institucional e compromisso com o desenvolvimento social. A Filarmônica Municipal Abdon Tavares, de Serra Redonda, criada em fevereiro de 2001, apresentou um repertório que conecta marchas militares, dobrados clássicos, baião e o forró tradicional. Após enfrentar um período de inatividade, o grupo de 45 instrumentistas foi inteiramente revitalizado em 2022 por meio de uma ação conjunta da Secretaria de Assistência Social local. Sob a batuta do maestro Gedeão Faustino, a entidade mantém uma escola gratuita de sopro e percussão ativa durante todo o ano.
Já a Sociedade Musical São Miguel trouxe a bagagem histórica do Cariri paraibano. Com origens que remontam ao ano de 1907 e reorganização jurídica formalizada em 26 de abril de 1964, a banda é tombada como Patrimônio Cultural Material e Imaterial de Barra de São Miguel. Conduzida pelo maestro Sérgio Moura, a instituição atua como uma agência formadora de cidadania, oferecendo oficinas de iniciação musical gratuitas para crianças da zona rural e garantindo a preservação da memória musical da região através das partituras clássicas.
A herança pernambucana da Novo Século
Fechando o circuito de apresentações, a Sociedade Musical Novo Século representou o cancioneiro do Agreste pernambucano. Fundada na transição do século XIX para o século XX, mais precisamente em 4 de outubro de 1900, a corporação nasceu sob o nome de "Sociedade Musical Triunfo Santa-cruzense", idealizada por Pedro Ferreira Pedrosa e José Teodoro Aragão.
A compra de seus primeiros instrumentos de metal foi viabilizada por meio de uma histórica mobilização financeira popular dos moradores de Santa Cruz do Capibaribe. Tendo em sua galeria de regentes pioneiros os maestros Antônio Cisne e Joaquim Muniz Facão, a Novo Século consolidou-se como uma das instituições filarmônicas mais antigas e respeitadas do estado vizinho, provando que a música de banda permanece viva como um pilar de identidade e resistência cultural no interior do Nordeste.