Espaço institucional reúne quitutes juninos e artigos feitos à mão por produtoras locais em Campina Grande
(Imagem: Foto: Leydson Jackson / Codecom)
A união entre inclusão social, fomento ao empreendedorismo feminino e valorização das tradições nordestinas tem colhido resultados expressivos no Agreste paraibano. Nos primeiros dez dias de festividades de O Maior São João do Mundo, as artesãs que integram a barraca de artesanato "Raízes de Campina" comemoram o aquecimento das vendas e a intensa procura dos visitantes. Instalado no Parque Evaldo Cruz (Açude Novo), o espaço é uma iniciativa da Prefeitura de Campina Grande, sob a coordenação da Secretaria de Assistência Social (Semas) em articulação intersetorial com a Secretaria de Agricultura (Seagri), que fornece os insumos por meio de cooperativas da agricultura familiar.
O ponto de comercialização opera diariamente das 17h às 22h, servindo como uma vitrine para aproximadamente 400 itens cadastrados. O catálogo de produtos foi desenvolvido por produtoras assistidas pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) dos bairros Jeremias, Liberdade, Três Irmãs e do distrito de São José da Mata, além de contar com peças confeccionadas pela Gerência da Pessoa com Deficiência (PCD) e pelo Serviço ao Migrante. Com uma política de preços populares, as opções de presentes e utilitários variam de 8 a 40 reais.
Sucessos de venda: do clima de Copa à gastronomia junina
A flexibilidade para se adaptar às demandas do público tem sido o grande diferencial do coletivo de artesãs. Aproveitando o engajamento dos torcedores com o torneio mundial de futebol, a linha de acessórios personalizados com as cores verde e amarela que inclui brincos estilizados, laços capilares e chaveiros tornou-se o principal destaque de vendas da barraca.
Na ala gastronômica, a culinária de raiz também dita o ritmo do caixa:
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Bolo de Pamonha: Comercializado por 20 reais a unidade inteira ou em fatias individuais por 5 reais;
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Cocada na Quenga: Doce tradicional servido diretamente na casca do coco por 12 reais;
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Artigos de Viagem e Lar: Almofadas ergonômicas com máscaras faciais integradas, panos de prato decorativos e toalhas tipo bate-mão com valores entre 15 e 40 reais.
Histórias de superação, afeto e autonomia financeira
Por trás de cada peça exposta nas prateleiras do Parque Evaldo Cruz, existem trajetórias de vida que ganharam novos contornos por meio da economia criativa. A artesã Iracilda Almeida, de 72 anos, nasceu no Amazonas, mas adotou Campina Grande como lar definitivo. Especialista no manejo e confecção de peças estruturadas em algodão, ela enfatiza que o capricho, o cuidado técnico e o afeto depositados em cada costura são os fatores responsáveis pela alta fidelidade de sua clientela e pelo sucesso de público na arena junina.
O espaço cumpre ainda um papel terapêutico e de visibilidade para mães atípicas da rede municipal. É o caso de Dayane Gomes, mãe de três filhos sendo dois deles diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA) e acompanhados há três anos pelo Centro Dia da Semas. Após participar de oficinas de capacitação oferecidas pela prefeitura, ela se especializou na ornamentação de canetas e laços, vendidos entre 10 e 18 reais. Dayane relata que o retorno positivo dos clientes ajudou a superar a insegurança inicial, transformando a arte em uma ferramenta de valorização pessoal e independência financeira.
A infraestrutura e localização estratégica da barraca no pavilhão contaram com o suporte e articulação parlamentar da vereadora Pâmela Vital do Rego. Na liderança operacional das vendas diárias, a artesã e também mãe atípica Ana Paula destaca que, embora o movimento flutue entre os dias de semana e os sábados de grande público, a meta é liquidar todo o estoque em exposição através da captação de encomendas diretas, consolidando o projeto como um marco de dignidade social em O Maior São João do Mundo.