Ativistas utilizam faixas e cartazes na Avenida Paulista para cobrar o fim do embarque de gado em pé para o exterior
(Imagem: Canva)
A Avenida Paulista serviu de palco para uma manifestação nacional em defesa dos direitos e da dignidade animal. Neste domingo, diversas entidades civis e ativistas independentes se concentraram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) para protestar de forma contundente contra a exportação de animais vivos. O ato público integra uma mobilização coordenada em âmbito federal que visa sensibilizar a população e pressionar as autoridades políticas sobre os severos impactos socioambientais, sanitários e humanitários decorrentes dessa modalidade comercial.
Os organizadores do protesto argumentam que o transporte de carga viva submete os rebanhos a condições extremas de vulnerabilidade biológica e estresse psicológico. O confinamento prolongado em longas jornadas rodoviárias e marítimas, associado à superlotação dos compartimentos, eleva drasticamente os índices de morbidade e acidentes graves durante o percurso até os países compradores, localizados majoritariamente no Oriente Médio.
Denúncias de maus-tratos estruturais nas viagens
De acordo com Patrícia Aguiar, integrante do Movimento Nacional pelo Fim das Exportações de Animais Vivos, o objetivo central das manifestações não é paralisar as atividades econômicas do agronegócio brasileiro, mas sim erradicar as práticas consideradas cruéis que fazem parte da cadeia logística desse segmento. A ativista defende que o Brasil substitua integralmente o envio de bovinos em pé pela exportação de carne processada e congelada, o que agregaria valor industrial ao mercado interno e pouparia os animais de sofrimento desnecessário.
Em depoimento sobre a rotina das viagens, a liderança relatou cenários alarmantes de insalubridade aos quais os bois são expostos. Os animais enfrentam trajetos iniciais de cinco a seis dias em carretas fechadas pelas rodovias brasileiras, viajando sobre pisos escorregadios cobertos por dejetos acumulados. Segundo Aguiar, o acúmulo de urina e fezes eleva a concentração de gás amônia nos recintos, queimando as vias respiratórias dos bovinos, que muitas vezes chegam aos portos com membros fraturados e são forçados a embarcar em navios antigos, cuja capacidade de lotação chega a atingir 24 mil cabeças de gado.
Riscos ecológicos e o debate constitucional
Além da questão ética e humanitária, o movimento classifica a atividade como inconstitucional e ecologicamente perigosa. Os manifestantes apontam que a prática viola diretamente as diretrizes de proteção à fauna previstas na Constituição Federal de 1988. O risco de desastres ambientais de grande escala também foi relembrado pelo grupo, que citou episódios históricos de naufrágios de navios cargueiros na costa brasileira, a exemplo do trágico acidente ocorrido em 2015, no estado do Pará, que resultou na morte por afogamento de cinco mil bois e provocou sérios danos ao ecossistema fluvial local.
O foco dos protestos agora se volta para a articulação política dentro do Poder Legislativo. Atualmente, cinco projetos de lei que tratam da proibição ou do aumento de taxas sobre o transporte de carga viva aguardam votação no Congresso Nacional:
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Projetos em análise: Medidas que visam desincentivar o embarque de animais vivos por vias tributárias;
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Projeto de Lei 3.093/2021: O texto mais avançado, em tramitação no Senado Federal, que propõe o banimento total e definitivo da exportação de animais vivos para abate.
Os ativistas prometem manter o calendário de vigílias e atos públicos nas principais capitais do país ao longo dos próximos meses, buscando retirar as propostas legislativas da inércia e forçar uma revisão nas regras de bem-estar animal exigidas para o comércio exterior brasileiro.