O boneco gigante Mestre Forró ganha figurino especial com temática junina para desfile no Sítio Histórico.
(Imagem: gerado por IA)
As ladeiras de Olinda, conhecidas mundialmente pelo frevo, ganham um fôlego diferente neste domingo (21). A partir das 16h, o Sítio Histórico se transforma no cenário de um encontro inusitado e vibrante: o cortejo da Troça Carnavalesca Mista Mestre Forró, que funde a energia do Carnaval com as tradições do São João.
Pelo segundo ano consecutivo, a agremiação rompe as fronteiras entre as épocas festivas, provando que em Pernambuco o ciclo junino e o momesco podem caminhar lado a lado. O evento, que é totalmente gratuito e aberto ao público, promete arrastar moradores e turistas por entre os casarios coloniais em uma celebração de pura identidade local.
A concentração acontece na histórica sede do Cariri Olindense, no bairro de Guadalupe, ponto de partida para uma tarde de imersão cultural profunda. Com saída prevista para as 17h30, o grupo levará para as ruas a força dos Clarins de Olinda, a performance da Companhia de Dança Frevança e o ritmo contagiante da Orquestra de Frevo Meninos de Olinda.
O que muda na prática com a fusão cultural
A grande estrela do desfile é o boneco gigante de quase 3 metros de altura que dá nome à troça. Para esta edição, o Mestre Forró surge com uma vestimenta renovada, incorporando elementos visuais e alegorias inspiradas no matuto e nas festas de quadrilha, simbolizando visualmente essa união de ritmos brasileiros.
Na prática, isso muda mais do que parece. Não se trata apenas de música, mas de uma ocupação urbana que valoriza o artista local e a economia criativa da região. A proposta é criar um ambiente onde o passo do frevo encontre o balanço do forró de forma fluida, oferecendo uma alternativa de lazer que foge do óbvio.
E é aqui que está o ponto central: a democratização do acesso à cultura de rua. Sendo um evento totalmente aberto, o cortejo permite que a história viva de Olinda seja apreciada por todas as gerações, mantendo acesa a chama de tradições que definem o estado de Pernambuco como um polo cultural ímpar no país.
O que está por trás do Mestre Forró
A trajetória da troça é um exemplo de como o afeto e os sonhos comunitários moldam a cultura popular. Fundada em 2007 no bairro de Maranguape II, em Paulista, a agremiação nasceu do desejo de Kleberton Santana de ter seu próprio boneco gigante, um ícone da infância que se transformou em projeto de vida.
O que começou como uma iniciativa comunitária cresceu e hoje o Mestre Forró é uma figura requisitada em festividades por todo o estado. Essa jornada de quase duas décadas mostra a resiliência dos grupos culturais independentes que conseguem promover grandes impactos sociais e manter viva a alegria nas comunidades onde atuam.
A iniciativa reforça como as manifestações populares pernambucanas são organismos vivos e capazes de se reinventar sem perder a essência. Para quem busca uma experiência autêntica, o encontro nas ladeiras é o retrato da alma festiva de um povo que entende a cultura como o seu maior e mais valioso patrimônio coletivo.