Ação do Gaeco e da Polícia Civil desarticulou rede que planejou execução de advogado no Rio de Janeiro.
(Imagem: CFTV/Redes Sociais)
A disputa sangrenta pelo controle do mercado de apostas esportivas no Rio de Janeiro ganhou um novo e definitivo capítulo judicial. A Justiça fluminense decretou a prisão preventiva de mais quatro acusados de envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Crespo, executado a tiros no Centro do Rio de Janeiro.
A medida atende a uma denúncia do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público estadual, que expõe as entranhas de uma guerra comercial silenciosa. Entre os novos alvos da decisão estão policiais militares e lideranças históricas do jogo do bicho.
Na prática, a investigação revela como a tradicional contravenção carioca se modernizou e passou a monitorar — com métodos implacáveis — qualquer pessoa que ousasse atravessar o caminho de seus novos negócios digitais.
Por que o mercado de bets motivou a execução
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi encomendado por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Apontado como uma das principais lideranças da chamada nova cúpula do jogo do bicho, ele teria enxergado o advogado Rodrigo Crespo como uma ameaça direta aos seus planos de expansão nas apostas online, as populares bets.
Crespo não era apenas um observador. Ele buscava ativamente investidores para estruturar um empreendimento de grande porte no setor e planejava abrir um bar esportivo equipado com máquinas de apostas eletrônicas, um território que a contravenção sempre tratou como monopólio absoluto.
Mas o impacto vai além de uma disputa de mercado. O crime revelou um esquema sofisticado de monitoramento e divisão de tarefas para garantir que a execução ocorresse sem falhas, utilizando agentes públicos da segurança como engrenagem operacional.
Como funcionava a engrenagem do crime
As investigações detalharam a frieza logística do grupo. Ryan Patrick Barboza de Oliveira, conhecido como Motinha, ficou responsável por mapear a rotina da vítima, identificando os horários e locais ideais para a abordagem fatal.
Na retaguarda tática, o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, o Pitbull, e Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, deram o suporte logístico. Eles monitoraram os passos de Crespo de dentro do carro usado na fuga e deram cobertura direta ao executor.
Enquanto Renato foi preso nesta semana e teve suas funções públicas suspensas, Rafael permanece foragido. Já Adilsinho, detido no início de 2026, continuará sob custódia em um presídio federal de segurança máxima pelos próximos três anos.
Esse desfecho mostra que a fronteira entre a contravenção física e as plataformas digitais de apostas tornou-se um novo território de violência extrema. O caso de Rodrigo Crespo deixa claro que o avanço das bets no Brasil não atrai apenas cifras bilionárias, mas também os velhos métodos de repressão do crime organizado.