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Cientistas redescobrem em Minas Gerais plantas que eram consideradas extintas há 30 anos

Pesquisadores localizam plantas consideradas extintas há 30 anos em Minas Gerais. Espécies ultrarresistentes abrem novos horizontes para a biotecnologia.

16 ago 2026 - 17h20 Joice Gomes
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Cientistas redescobrem em Minas Gerais plantas que eram consideradas extintas há 30 anos Pesquisadores realizam busca ativa de sempre-vivas ameaçadas de extinção em campos rupestres de Minas Gerais. (Imagem: gerado por IA)

Espécies raras de plantas que a ciência dava como perdidas há pelo menos três décadas acabam de ser encontradas vivas em Minas Gerais. A descoberta, realizada no coração do Quadrilátero Ferrífero, não apenas desafia as estatísticas de extinção como abre um horizonte inédito para a medicina, para a agricultura e para o desenvolvimento de novas tecnologias ambientais.

O achado histórico é fruto de um esforço conjunto que reúne universidades, institutos de pesquisa e a mineradora Vale, integrados na chamada Rede Propagar. Os cientistas realizaram incursões minuciosas em áreas de preservação para rastrear o paradeiro dessas espécies endêmicas, cujo rastro havia sumido por completo dos registros botânicos.

Por que isso importa agora

Na prática, a redescoberta dessas plantas muda mais do que parece. Entre as joias botânicas resgatadas estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, espécies conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinhos. Elas possuem uma assinatura evolutiva única, sendo capazes de florir e manter a integridade mesmo muito tempo após secarem sob o sol escaldante.

Mas o impacto real vai muito além da estética ornamental que costuma encantar os turistas nas serras mineiras. Essas plantas se desenvolveram exclusivamente no solo ferruginoso característico do Quadrilátero Ferrífero, enfrentando extremos diários de temperatura e severa escassez de água.

E é aqui que está o ponto central: decifrar o código genético dessas sobreviventes extremófilas pode revelar mecanismos biológicos valiosos para a biotecnologia. No futuro, esses dados genéticos poderão ajudar no desenvolvimento de lavouras comerciais muito mais resistentes às secas e às mudanças climáticas que hoje ameaçam a segurança alimentar global.

O que está por trás da sobrevivência dessas espécies

Para os pesquisadores, encontrar essas populações intactas no solo rochoso e árido da região foi o resultado de uma metodologia rigorosa de busca ativa. A Paepalanthus magalhaesii, por exemplo, que se assemelha a pequenos pompons agarrados às rochas, foi localizada em áreas estritamente protegidas de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.

Já a raríssima Coracoralina amoena desafia os limites do que se compreende sobre resiliência vegetal. Ela sobrevive onde quase nenhuma outra vegetação prospera, fixada em uma fina camada de terra sobre rochas expostas ao sol impiedoso de Minas Gerais.

De acordo com especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essa descoberta prova que o ecossistema brasileiro ainda esconde segredos profundos. A expectativa é que, com a continuidade das expedições de campo, outras espécies consideradas perdidas no tempo — ou até plantas totalmente novas para a ciência — sejam catalogadas nos próximos meses.

O que pode acontecer a partir disso

Agora, o foco principal do projeto migra dos campos rupestres para a alta tecnologia de laboratório. As amostras coletadas pelas equipes de cientistas já foram enviadas para sequenciamento genético e multiplicação biotecnológica em ambiente controlado.

O plano de ação prevê não apenas decodificar os genomas dessas sobreviventes, mas criar protocolos científicos para reproduzi-las em larga escala. No futuro, mudas dessas mesmas espécies serão reintroduzidas de forma estratégica em áreas degradadas para acelerar e fortalecer a recuperação ecológica dessas regiões.

Garantir a sobrevivência dessas espécies em laboratório é o primeiro passo para salvaguardar um patrimônio genético insubstituível. Em um planeta sob crescente pressão climática, redescobrir a resiliência escrita no DNA dessas pequenas flores mineiras pode ser a chave para reescrever o futuro da conservação ambiental e da sustentabilidade.

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