Obras do pintor francês Henri Matisse foram recuperadas em apartamento na Região Metropolitana de São Paulo.
(Imagem: Divulgação/ Prefeitura de São Paulo)
A Polícia Civil de São Paulo recuperou, nesta quinta-feira (13), oito obras raras do pintor francês Henri Matisse que haviam sido roubadas de uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista. O resgate dos acervos históricos representa uma vitória importante contra o mercado ilegal de arte no país, embora o caso ainda esconda lacunas preocupantes.
As peças foram localizadas em um apartamento no centro de São Bernardo do Campo, na região metropolitana do estado, onde um homem foi preso em flagrante sob a acusação de receptação. Na prática, a localização desses itens desvela uma engrenagem muito mais complexa e profissionalizada de crimes contra o patrimônio cultural brasileiro.
Apesar do avanço expressivo, a operação expõe um contraste amargo para os curadores e defensores do patrimônio público. No mesmo assalto, ocorrido em uma manhã de domingo em questão de minutos, cinco gravuras do modernista brasileiro Candido Portinari também foram levadas pelos criminosos, mas seguem com paradeiro totalmente desconhecido.
O que está por trás do roubo na biblioteca
De acordo com as investigações conduzidas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o assalto na Biblioteca Mário de Andrade não foi um ato isolado de oportunidade, mas sim uma ação friamente planejada por uma quadrilha altamente especializada e articulada em nível interestadual.
A desarticulação desse grupo criminoso começou a ganhar tração ainda no final do ano passado, quando três integrantes, dois homens e uma mulher foram identificados e capturados com o auxílio de imagens de monitoramento urbano. Mas o ponto de virada na investigação ocorreu meses depois, em uma operação em outro estado.
Em abril, uma ação coordenada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro frustrou uma nova tentativa de roubo do bando e resultou na prisão de mais dois suspeitos. Entre eles, estava o suposto mentor intelectual do ataque à biblioteca paulista, cuja captura forneceu o rastreamento necessário para localizar o cativeiro das obras de Matisse.
Como isso afeta a segurança do patrimônio cultural
A recuperação das gravuras do mestre francês recoloca em evidência a vulnerabilidade crônica de museus, bibliotecas e centros culturais no Brasil. O furto de relíquias artísticas e sacras tem se mostrado uma atividade lucrativa, alimentada por receptores de alto poder aquisitivo que operam sob as sombras do mercado clandestino.
Casos semelhantes recentes, como a devolução voluntária de obras roubadas da Biblioteca Nacional pelo Itaú Cultural e a apreensão de peças sacras históricas em um antiquário no Recife, sugerem que a fiscalização e o controle de procedência de acervos públicos e privados precisam passar por uma reestruturação severa no país.
O destino das obras remanescentes de Candido Portinari agora depende do desdobramento dos interrogatórios e da análise dos materiais apreendidos nas buscas realizadas em Diadema, São Paulo e Rio de Janeiro. A expectativa das autoridades é de que a pressão sobre os receptores force a entrega das peças antes que elas saiam ilegalmente das nossas fronteiras.