Representação editorial de avaliação oftalmológica usada no diagnóstico de alterações que podem atingir estruturas fora da pele.
(Imagem: gerado por IA)
O melanoma é conhecido principalmente como um tipo agressivo de câncer de pele, mas também pode surgir em estruturas fora da pele, como olhos e mucosas. Um levantamento da Fundação do Câncer chama atenção para esses casos menos frequentes, porém potencialmente mais agressivos e difíceis de identificar precocemente.
O tumor se origina nos melanócitos, células produtoras de melanina. Embora estejam concentradas na pele, essas células também existem em outras partes do corpo, o que explica o surgimento de melanomas oculares e de mucosa.
Maioria dos casos é cutânea, mas há tumores fora da pele
Em uma análise de 42.255 registros hospitalares no Brasil, 92,2% dos casos eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.
Entre os melanomas extracutâneos registrados no período analisado, o olho foi a principal localização primária, respondendo por cerca de 75% dos casos. Em seguida apareceram órgãos genitais, com 12,8%, e estruturas do sistema digestório, com 8,2%.
Melanoma ocular pode passar despercebido
Um dos principais desafios é que o melanoma ocular pode ser silencioso nas fases iniciais. Em alguns pacientes, a doença só é identificada durante exames oftalmológicos de rotina.
Quando aparecem, os sintomas podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda de visão. Como esses sinais também ocorrem em outras doenças dos olhos, a investigação especializada é necessária para confirmar a causa.
Diagnóstico precoce melhora chance de tratamento
Especialistas destacam que o melanoma, quando diagnosticado e tratado precocemente, apresenta melhores perspectivas de controle. O tipo de tratamento depende da localização, extensão da doença e presença de metástase.
No Sistema Único de Saúde, a cirurgia continua sendo o principal tratamento inicial para muitos casos de melanoma. Entre 2014 e 2023, procedimentos cirúrgicos representaram 84,7% dos primeiros tratamentos registrados para melanoma de pele no país.
Imunoterapia ampliou opções
Nos últimos anos, medicamentos de imunoterapia mudaram o tratamento de formas avançadas do melanoma. O SUS incorporou agentes anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe, para determinados casos de doença metastática.
Apesar do avanço, especialistas alertam que as evidências para alguns melanomas extracutâneos ainda são mais limitadas e que o alto custo dos medicamentos continua sendo uma barreira para ampliar o acesso.
Centro-Oeste tem maior necessidade de deslocamento para tratamento
O levantamento também identificou desigualdades de acesso. No Centro-Oeste, 20,2% dos pacientes precisaram se deslocar para outra localidade em busca de tratamento oncológico, a maior proporção entre as regiões.
O dado sugere gargalos na oferta de assistência especializada e reforça a necessidade de ampliar a rede de diagnóstico e tratamento fora dos grandes centros.
Inca estima 9.360 novos casos de melanoma de pele em 2026
Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no Brasil. O tumor representa uma parcela pequena dos cânceres de pele, mas tem maior potencial de disseminação e mortalidade.
A recomendação é procurar avaliação médica diante de alterações suspeitas na pele e manter acompanhamento oftalmológico regular, especialmente quando houver sintomas visuais novos ou persistentes. Diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para ampliar as possibilidades de tratamento.