Base da Força Nacional do SUS no Rio de Janeiro, instalada para enfrentar impactos do El Niño
(Imagem: gerado por IA)
O Ministério da Saúde instalou nesta quarta-feira (9) uma nova base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) na cidade do Rio de Janeiro. A unidade, localizada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na zona sul, tem capacidade de atuar em estados e municípios da Região Sudeste do país, reforçando a resposta em situações de emergência sanitária e desastres causados por mudanças climáticas, como ondas de calor e enchentes.
Com equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos e suporte para deslocamento de equipes, a base conta também com um posto médico avançado. Em casos de emergência, a capacidade de atendimento pode ser ampliada com a adesão de equipes e voluntários, integrando-se ao trabalho dos estados e municípios. A instalação é a terceira do tipo no Brasil, após as unidades em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA), e faz parte de um plano do ministério de criar mais seis bases até o fim do ano.
A nova base permite que o Ministério da Saúde atue em até 12 horas em qualquer localidade da Região Sudeste, reduzindo o tempo de resposta em emergências. A medida é uma resposta ao El Niño, fenômeno climático que, segundo projeções, deve provocar temporais, chuvas intensas e ondas de calor no Sudeste, além de seca, incêndios e inundações em outras regiões.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a unidade é essencial para articular ações entre o poder público, especialmente diante das previsões de impactos climáticos. A base também está integrada aos Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que coletam dados sobre meio ambiente, clima e demografia para planejar ações de vigilância em saúde, prevenção de doenças e resposta a eventos extremos.
Estudos apontam que o Brasil perdeu 120 mil vidas em 20 anos por inação em ondas de calor, segundo pesquisa da Fiocruz. As principais vítimas são idosos, mulheres e crianças. A instituição recomenda a ativação de sistemas de monitoramento e alerta antecipados pelo SUS, com orientação e atendimento à população.
A instalação da base também atende a recomendações de uma pesquisa da Universidade de Oxford sobre a vulnerabilidade de cidades ao calor extremo. No Brasil, 11 dos 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes foram considerados vulneráveis, incluindo o Rio de Janeiro.