Deputados pedem investigação sobre relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
(Imagem: Lula Marques Agência Brasil)
A declaração recente do pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes, de que pode declarar apoio às candidaturas presidenciais de Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) movimentou os bastidores políticos. A fala gerou descontentamento direto entre os aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atua como um dos articuladores da disputa ao Planalto. Interlocutores apontam que o posicionamento rompeu um entendimento informal de neutralidade firmado na montagem da chapa.
Apesar da saia-justa nos bastidores, integrantes do PL descartam qualquer escalada de crise ou rompimento da coligação estadual. A avaliação estratégica do partido é de que o tucano continua sendo o quadro mais competitivo no estado para enfrentar o grupo político governista. Por este motivo, o pacto eleitoral montado em solo cearense será mantido sem alterações de rota.
Bastidores da relação entre PL e PSDB no Ceará
Os aliados de Flávio reforçam que nunca exigiram um endosso ostensivo de Ciro à pré-candidatura do senador. O entendimento interno considerava que um apoio explícito poderia trazer rejeição ao ex-ministro por parte da base bolsonarista, além de desgastes pelo seu histórico em gestões do PT. A expectativa, no entanto, era de que Ciro não fizesse acenos a outros postulantes.
A movimentação do tucano provocou reações imediatas entre os nomes citados por ele no espectro político:
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Ronaldo Caiado: O governador goiano pretende procurar Ciro para estreitar laços e atrair a ala do PSDB.
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Renan Santos: O pré-candidato comemorou publicamente o elógio recebido do ex-ministro.
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Estratégia do PL: A campanha do PL aposta na força de Ciro para desgastar o atual governo local e o PT na região.
Impacto na crise interna do bolsonarismo
O acordo entre liberais e tucanos no Ceará já havia se tornado o estopim de um racha na família do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defendia nomes próprios para a chapa majoritária e atuou pela pré-candidatura da então vereadora Priscila Costa ao Senado. As divergências sobre as alianças locais provocaram atritos expostos publicamente e culminaram na saída de Michelle do comando nacional do PL Mulher.
Prevaleceu a articulação conduzida pelo diretório do partido, que prevê o apoio à candidatura de Ciro Gomes ao governo, garantindo ao PL a indicação para a vaga ao Senado com o deputado estadual Alcides Fernandes. Ciro já havia evitado discursar no ato oficial de lançamento das pré-candidaturas do PL em Fortaleza, demonstrando a intenção mútua dos dois grupos de afastar a leitura de uma aliança nacional automática.