Edifício da entidade esportiva em meio a debates de projetos para a modalidade
(Imagem: Agência Brasil / ABr)
Uma proposta legislativa em análise na Câmara dos Deputados estabelece o pagamento de uma gratificação no valor de R$ 500 mil para as ex atletas que representaram o Brasil nos primeiros campeonatos mundiais da categoria. A iniciativa faz parte do texto da Lei Geral do torneio previsto para 2027 e busca fazer uma reparação histórica às atletas que abriram espaço para o futebol feminino nacional.
A ideia original previa contemplar somente as jogadoras do torneio experimental realizado na China em 1988. Contudo, a relatoria da matéria decidiu expandir a cota do benefício para abarcar também as participantes do primeiro mundial oficial da entidade internacional em 1991, aumentando a quantidade total de beneficiadas.
Reconhecimento ao avanço do futebol feminino
Os recursos financeiros necessários para quitar a premiação serão arcados pelo Ministério do Esporte. Em cenários nos quais a ex jogadora já tenha falecido, os valores previstos na legislação poderão ser repassados diretamente aos herdeiros legais conforme as diretrizes do sistema judiciário.
O evento experimental de 1988 serviu como um teste crucial para testar o apelo público e a viabilidade estrutural da modalidade em escala global. O êxito daquela disputa garantiu a criação formal da copa oficial no início dos anos noventa, consolidando novos rumos para o futebol feminino.
As mulheres que defenderam a camisa verde e amarela naquela época enfrentaram cenários de forte preconceito, escassos recursos e falta de infraestrutura básica para treinos. Em razão dessas dificuldades históricas, a gestão federal entende a medida financeira como um ato público de valorização dessas pioneiras do futebol feminino.
Além da reparação às atletas do passado, a proposta normativa define um conjunto de regras técnicas para o mundial que o país sediará em 2027. As cláusulas abrangem normas sobre direitos comerciais, regras de publicidade e autorizações operacionais para as arenas que receberão os jogos.
Embora o impacto financeiro tenha subido com a ampliação da lista de contempladas, o texto final segue em análise na casa legislativa para posterior sanção, marcando um momento importante para a memória do futebol feminino no país.