Jogadoras do Planalto GO comemoram título histórico do Campeonato Brasileiro Feminino Série A3 no gramado do Batistão.
(Imagem: Luiz Neto/Staff Images/CBF)
O futebol do Centro-Oeste alcançou um feito histórico na noite deste sábado com o título inédito do Planalto-GO no Brasileirão Feminino A3. A vitória por 1 a 0 sobre o Juventude-SE, em pleno Batistão, coroa um projeto esportivo revolucionário que levou Goiás ao topo do cenário nacional em tempo recorde.
O resultado vai além de um simples troféu na galeria. Fundada em dezembro de 2024, a equipe de Aparecida de Goiânia precisou de menos de dois anos de existência para escrever seu nome na história, tornando-se o primeiro clube goiano a vencer um torneio nacional feminino.
Na prática, isso muda mais do que parece para a modalidade na região. Com um planejamento sólido capitaneado por lideranças sociais, o time mostra que a estruturação rápida e o investimento no futebol de base feminina podem quebrar a hegemonia de praças tradicionais.
O que está por trás da ascensão meteórica do Planalto
O Planalto Esporte Clube nasceu sob o guarda-chuva da Central Única das Favelas (Cufa) de Goiás, que enxergou no futebol feminino um poderoso vetor de transformação social. A estreia oficial ocorreu com o vice-campeonato goiano em 2025, credenciando o elenco para o desafio nacional na temporada seguinte.
Sob o comando tático da técnica Regiane Santos, que já acumula três acessos nacionais em seu currículo vitorioso desde 2022, o time consolidou uma campanha impecável. Em 14 jogos, foram dez vitórias, três empates e apenas uma derrota.
Mas o impacto vai além do desempenho dentro das quatro linhas. O projeto oferece visibilidade e estrutura profissional para atletas que, em muitos casos, enfrentam a falta de fomento crônica que ainda afeta o esporte feminino no país.
Superação de Brenda e a consagração na final
A partida decisiva em Aracaju foi marcada por um roteiro de forte apelo emocional. Com a vantagem do empate obtida no jogo de ida, as goianas viram o título ficar ainda mais perto aos 44 minutos do primeiro tempo, quando a camisa 10, Brenda, marcou um golaço de falta de longa distância.
A emoção na comemoração da meia se justifica pelo drama vivido nas semifinais. Brenda havia deixado o campo de ambulância após sofrer uma forte pancada, mas superou as dores físicas para entrar em campo e decidir a grande final.
No segundo tempo, o Juventude-SE tentou pressionar, mas esbarrou em uma defesa goiana muito bem postada. A atacante Laureen, artilheira do campeonato com 11 gols, foi completamente anulada pela marcação implacável do Planalto.
O que pode acontecer a partir disso no futebol feminino
Com o apito final, a consagração do Planalto-GO sacramentou não apenas o troféu, mas também as vagas garantidas na Série A2 para os quatro semifinalistas do torneio. Além do campeão e do Juventude-SE, Portuguesa-AP e Realidade Jovem (SP) sobem de divisão.
Essa descentralização do futebol feminino, com o fortalecimento de equipes fora do eixo tradicional do Sudeste, promete acirrar a competitividade nas principais ligas nacionais nos próximos anos.
Agora, o grande desafio das novas potências regionais será a manutenção de patrocínios e parcerias para sustentar o crescimento nas divisões superiores. O Planalto-GO provou que a fórmula baseada em impacto social e gestão eficiente é viável e extremamente vencedora.