Carlo Ancelotti estuda mudanças táticas na Seleção Brasileira para o mata mata.
(Imagem: Rafael Ribeiro/CBF)
Os bastidores da eliminação do Brasil na Copa do Mundo 2026 ganharam contornos de manifesto político por parte do elenco. Em uma reunião exclusiva de portas fechadas logo após a queda no Mundial, as principais lideranças do grupo se juntaram a Samir Xaud, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para formalizar um apelo de apoio ao técnico Carlo Ancelotti.
Os atletas enfatizaram que a preparação para o torneio nos Estados Unidos foi severamente prejudicada por turbulências administrativas e institucionais. O ciclo de quatro anos foi classificado como caótico pelos jogadores, que viram a Amarelinha ser comandada por quatro treinadores diferentes (Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e o próprio Ancelotti) e gerida por dois mandatários na autarquia (Ednaldo Rodrigues e Samir Xaud). Essa ciranda de comando, segundo o plantel, gerou uma crônica instabilidade técnica e emocional.
Pedido de blindagem e foco na nova geração
Apesar do gosto amargo da desclassificação frente à Noruega, o grupo fez questão de elogiar a infraestrutura logística oferecida pela CBF durante a Copa. Na conversa direta com Xaud, o pedido central foi para que a entidade dê respaldo, paz jurídica e estabilidade contratual para que o comandante italiano lidere o processo de reformulação estrutural da Seleção.
A meta acordada é iniciar imediatamente a transição geracional. A espinha dorsal do novo projeto focado na próxima Copa do Mundo será capitaneada por jovens talentos já consolidados no exterior e no futebol nacional, como Vinicius Júnior, Endrick, Rayan e Estêvão.
O reinício dos trabalhos já tem data marcada. A comissão técnica planeja a primeira convocação oficial para o início de setembro, aproveitando uma janela estendida da Data Fifa de quase 20 dias. O período servirá para intercâmbio tático, com a previsão de realização de três a quatro amistosos de alto nível.
Clima de despedida e choro no vestiário
O ambiente interno após o apito final em Nova York alternou momentos de luto e discursos de superação. Carlo Ancelotti tomou a palavra no vestiário e cobrou resiliência emocional do grupo, insistindo que o elenco precisa absorver os erros táticos para amadurecer nos próximos anos. Visivelmente emocionado, o craque Neymar fez um pronunciamento breve na tradicional roda de atletas e funcionários, agradecendo pelo companheirismo e indicando o seu adeus definitivo ao ecossistema da Seleção.
A delegação levou mais de duas horas para conseguir deixar as dependências do estádio. O volante Bruno Guimarães, que acabou desperdiçando uma penalidade máxima ainda na etapa inicial da partida, foi amparado por familiares no gramado e figurou como um dos mais abalados com o resultado. Após a dispensa formal, a maioria dos atletas optou por iniciar o período de férias nos próprios Estados Unidos: Neymar seguiu viagem rumo a Orlando, enquanto Vinicius Júnior permaneceu em Nova York. Apenas uma pequena comitiva embarcou no voo de retorno ao Brasil nesta terça-feira (7).