Presidente da CBF, Samir Xaud, anuncia programa de profissionalização da arbitragem brasileira.
(Imagem: Rafael Góes / CBF)
Após mudanças no calendário do futebol nacional e a implementação do fair-play financeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou mais uma iniciativa para enfrentar problemas históricos do esporte. Nesta terça-feira (27), a entidade lançou o Programa de Profissionalização da Arbitragem (PRO), o primeiro modelo estruturado para tornar a arbitragem brasileira profissional.
O projeto terá início com 72 árbitros selecionados e contará com um investimento estimado em R$ 195 milhões ao longo do biênio 2026/2027. A proposta busca alinhar o futebol brasileiro a padrões internacionais mais modernos, oferecendo melhores condições de trabalho, capacitação contínua e avaliação técnica rigorosa.
Elaborado pelo Grupo de Trabalho de Arbitragem, formado por representantes da CBF, federações, árbitros, consultores internacionais e 38 clubes das Séries A e B, o programa começará oficialmente em março e será estruturado em quatro pilares principais.
Os árbitros incluídos no PRO passarão a receber salários mensais, além de taxas variáveis e bônus por desempenho. Embora não haja exigência de exclusividade, os profissionais deverão priorizar a arbitragem como atividade principal.
Segundo o presidente da CBF, Samir Xaud, a iniciativa atende a uma demanda antiga do futebol nacional.
“É uma mudança estrutural profunda e necessária, pedida há décadas. Estamos adotando práticas já consolidadas nas grandes federações do mundo e encarando um desafio que ficou adormecido por muito tempo”, afirmou.
Estrutura e critérios
Neste primeiro momento, o programa será voltado ao Campeonato Brasileiro da Série A, mas os árbitros profissionalizados poderão atuar em outras competições ao longo da temporada.
Do total de selecionados, 20 são árbitros centrais — sendo 11 do quadro da Fifa —, 40 são assistentes, incluindo 20 internacionais, e 12 atuarão exclusivamente no VAR, todos credenciados pela Fifa. Ao fim de cada ano, haverá avaliações com possibilidade de rebaixamento e promoção, conforme o desempenho.
O diretor executivo da CBF e relator do GT de Arbitragem, Helder Melillo, destacou que o projeto foi inspirado em modelos adotados nas principais ligas europeias.
“A iniciativa reflete o compromisso da nova gestão em oferecer soluções concretas para desafios acumulados há anos”, explicou.
Avaliação, tecnologia e saúde
Os árbitros do PRO serão avaliados de forma contínua por observadores e por uma comissão técnica independente. Entre os critérios analisados estão controle de jogo, aplicação das regras, preparo físico, comunicação e desempenho geral, com pontuação consolidada em um ranking atualizado a cada rodada.
Além disso, os profissionais terão planos individualizados de treinamento, rotina semanal de atividades físicas, monitoramento tecnológico com dados biométricos e acompanhamento multidisciplinar, incluindo psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e preparadores físicos.
Também está prevista uma agenda de capacitação permanente, com imersões mensais, aulas teóricas, simulações de jogo e análises detalhadas de lances polêmicos, sempre com feedback individualizado.
Para o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, o suporte oferecido representa um avanço inédito.
“É fundamental dar aos árbitros estrutura, saúde e ferramentas adequadas para que possam desempenhar seu papel com excelência”, ressaltou.