Alta no preço da gasolina tem incentivado brasileiros a buscar alternativas de mobilidade.
(Imagem: Canva)
O setor energético brasileiro deve receber aportes financeiros expressivos na próxima década com foco na transição verde e na descarbonização dos transportes. O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram nesta quinta-feira (29) o Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos, documento integrante do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036.
O planejamento estratégico estima a injeção de R$ 142 bilhões no segmento entre os anos de 2027 e 2036. Desse total, os maiores volumes previstos destinam-se a projetos de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e diesel verde, com R$ 39 bilhões, seguidos pelo biometano (R$ 31,1 bilhões), expansão do etanol de milho e outros cereais (R$ 25,3 bilhões) e formação de novos canaviais (R$ 24,1 bilhões).
Crescimento do etanol e novas fontes de energia
As projeções oficiais indicam que a oferta total de etanol no país crescerá a uma taxa anual de 2,5%, saltando de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros no horizonte de dez anos. Enquanto a cana-de-açúcar preservará cerca de 60% da participação na oferta ao final do período, o etanol de milho ganhará forte impulso, respondendo por 40% do volume total e incorporando 9,6 bilhões de litros de capacidade produtiva.
O estudo também aponta perspectivas de alta para o biometano, cuja meta de descarbonização da rede de gás natural poderá subir de 0,5% em 2026 para até 10% em 2036. Para cumprir as exigências legais no final do período, o mercado demandará uma capacidade adicional de cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos diários.
Combustíveis sustentáveis e aviação
Impulsionado pelas metas do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV) e pelas normas internacionais do CORSIA a partir de 2027, o setor de SAF deverá consolidar uma produção nacional de 1,7 bilhão de litros anuais em 2030, alcançando 3,6 bilhões de litros ao término de 2036. O montante suprirá em média 76% das metas de mitigação de emissões exigidas para o transporte aéreo no período.
A consulta pública referente ao PDE 2036 permanecerá aberta para o recebimento de contribuições da sociedade e de especialistas até o próximo dia 6 de novembro. Os interessados podem enviar sugestões de aprimoramento por meio da plataforma Brasil Participativo ou pelo portal oficial do MME.