Presidente Lula no Nordeste
(Imagem: Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
A conta de luz no Nordeste pode ficar mais cara em 2027, segundo projeções preliminares da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A estimativa aponta aumento de 0,77% nas tarifas dos consumidores de baixa tensão, grupo que inclui a maioria das residências. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a previsão é de redução de 0,62%.
A diferença está relacionada à variação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo utilizado para financiar subsídios e políticas públicas do setor elétrico. De acordo com os números divulgados, o custo unitário desse encargo poderá aumentar 7,3% nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a projeção indica queda de 3,8% nas demais regiões.
As estimativas fazem parte das discussões sobre o orçamento da CDE para 2027 e ainda podem sofrer alterações antes da definição final.
Conta de luz no Nordeste pode ter aumento de 0,77%
A projeção para o próximo ano indica comportamentos diferentes na distribuição regional dos custos da energia elétrica. Para os consumidores do Norte e Nordeste, o impacto tarifário estimado é de alta de 0,77% para aqueles atendidos em baixa tensão. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a estimativa aponta redução de 0,62%.
É importante distinguir os percentuais. A variação de 7,3% corresponde ao custo unitário da CDE no Norte e Nordeste, e não ao reajuste total da conta de luz. O mesmo vale para a redução de 3,8% prevista para as demais regiões.
Já os índices de 0,77% e -0,62% representam as estimativas de impacto nas tarifas de baixa tensão. O valor efetivamente pago por cada consumidor também depende de fatores como consumo mensal, tributos, outros encargos e reajustes definidos para a distribuidora responsável pelo fornecimento.
Por isso, os números não significam que todas as residências nordestinas terão exatamente o mesmo aumento na fatura em 2027.
O que é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)?
A Conta de Desenvolvimento Energético é um encargo do setor elétrico criado para financiar políticas públicas e diferentes subsídios relacionados ao fornecimento de energia no Brasil.
Os recursos da CDE contribuem para custear iniciativas e benefícios previstos na legislação, incluindo programas voltados à universalização do acesso à eletricidade e mecanismos de apoio a determinados grupos de consumidores e atividades do setor.
Parte dos custos é repassada às tarifas de energia, conforme as regras de cálculo e distribuição estabelecidas pela regulamentação. Dessa forma, as mudanças no orçamento e nos critérios de rateio podem influenciar o valor dos encargos incorporados às faturas.
Para 2027, a proposta em discussão prevê uma distribuição regional diferente da variação observada no custo unitário da CDE, com aumento no Norte e Nordeste e redução no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Por que os custos serão diferentes entre as regiões?
A diferença está relacionada aos critérios de rateio das cotas anuais da CDE. As regras consideram fatores regionais e características do atendimento aos consumidores, incluindo o nível de tensão elétrica.
A legislação prevê uma transição gradual para reduzir a diferença entre os custos unitários de referência cobrados nas regiões brasileiras. Esse processo tem como horizonte o ano de 2030, conforme os parâmetros regulatórios aplicáveis.
Com a continuidade dessa transição, a distribuição dos custos pode produzir variações diferentes entre as regiões, mesmo quando o orçamento geral do encargo apresenta relativa estabilidade.
A projeção para 2027 indica justamente esse movimento: o custo unitário de referência tende a subir no Norte e Nordeste e a cair nas outras três regiões agrupadas. Isso não representa, isoladamente, uma definição dos reajustes tarifários finais de cada concessionária.
Quando o aumento da conta de luz será definido?
Os percentuais divulgados são preliminares e dependem do andamento do processo regulatório. A proposta orçamentária ainda precisa passar pelas etapas de análise e definição dos valores aplicáveis ao exercício de 2027.
A Aneel deverá considerar as informações técnicas e as contribuições recebidas durante o procedimento antes de deliberar sobre a proposta final. Até a conclusão desse processo, os valores projetados poderão ser revistos.
Os consumidores devem acompanhar os comunicados da agência reguladora e das distribuidoras para conhecer os reajustes que serão efetivamente aplicados em cada área de concessão.
Caso as estimativas sejam confirmadas, os clientes residenciais do Norte e Nordeste poderão registrar um impacto médio positivo de 0,77% nas tarifas de baixa tensão relacionado a essa projeção, enquanto as demais regiões agrupadas poderão ter redução estimada de 0,62%.
O resultado final, porém, dependerá das decisões regulatórias e dos demais componentes que formam a conta de energia elétrica no próximo ano.