Representação editorial das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas de importação.
(Imagem: gerado por IA)
Brasil e Estados Unidos voltam a discutir as tarifas aplicadas a produtos brasileiros durante encontro ligado ao G20, em mais uma rodada de negociações para reduzir as barreiras comerciais que passaram a afetar parte relevante das vendas brasileiras ao mercado norte-americano.
A retomada do diálogo ocorre após contatos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump e reuniões técnicas entre o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
23,1% das exportações brasileiras estão sujeitas às novas sobretaxas
Segundo levantamento oficial do MDIC, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão alcançadas pelas novas sobretaxas adotadas com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Desse total, 4,7% das exportações são atingidas apenas pela tarifa adicional de 12,5%, 1,9% apenas pela sobretaxa de 25% e 16,5% ficam sujeitas às duas medidas, com acréscimo combinado de 37,5%. Outros 24,2% das vendas brasileiras já estavam sujeitos a tarifas setoriais, como as aplicadas a aço e alumínio.
O MDIC calcula que 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecem fora dessas sobretaxas adicionais. Entre os produtos nessa situação estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas e parte relevante das exportações de celulose e produtos químicos.
Comércio bilateral perdeu força em 2026
As novas medidas foram adotadas em um momento de desaceleração do comércio entre os dois países. Dados oficiais mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entre os produtos que mais contribuíram para a retração estão petróleo bruto e formas primárias de ferro e aço. A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu, passando de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026.
Governo busca solução negociada
Em nota conjunta, Itamaraty e MDIC afirmaram que o Brasil segue aberto ao diálogo e pretende buscar uma solução negociada para as tarifas. As conversas tratam das duas decisões recentes dos Estados Unidos que elevaram custos de entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano.
O governo brasileiro também adotou medidas para reduzir o impacto sobre empresas exportadoras. Entre elas está a possibilidade de prorrogar por até um ano determinados atos concessórios do regime de drawback suspensão afetados pelas tarifas adicionais.
Por que o G20 é importante
Encontros ministeriais e técnicos do G20 costumam reunir autoridades das maiores economias do mundo e funcionam como oportunidade para negociações bilaterais paralelas. No caso de Brasil e Estados Unidos, o encontro cria espaço para avançar em temas tarifários sem depender de uma visita presidencial específica.
O desfecho das negociações é relevante para setores industriais e agropecuários que dependem do mercado norte-americano. Uma eventual redução das tarifas poderia melhorar a competitividade de produtos brasileiros e ajudar a recuperar parte das exportações perdidas ao longo de 2026.
Até o momento, porém, não há acordo anunciado. As sobretaxas continuam em vigor para os produtos atingidos, e as próximas rodadas deverão definir se haverá retirada, redução ou ampliação de exceções.