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HABITAÇÃO

Casa própria segue distante para milhões de brasileiros apesar de queda no déficit habitacional

Déficit habitacional caiu em 2024, mas aluguel elevado, renda comprometida e custo do crédito ainda afastam milhões de brasileiros da casa própria.

14 set 2026 - 08h48 Joice Gomes
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Casa própria ainda é sonho distante para milhões de brasileiros; veja o que pesa no bolso Representação editorial dos desafios financeiros enfrentados por famílias que buscam comprar a casa própria no Brasil. (Imagem: gerado por IA)

Comprar a casa própria continua sendo um dos principais objetivos financeiros dos brasileiros, mas o caminho até a aquisição de um imóvel permanece difícil para milhões de famílias. Mesmo com a redução recente do déficit habitacional, o custo do aluguel, a renda comprometida com despesas básicas, os juros do crédito imobiliário e a necessidade de entrada ainda mantêm boa parte da população distante da compra de um imóvel.

Dados mais recentes da Fundação João Pinheiro mostram que o déficit habitacional brasileiro recuou em 2024 e passou a representar cerca de 7,4% dos domicílios. Ainda assim, o número absoluto continua próximo de 6 milhões de moradias, o que revela a dimensão estrutural do problema.

O principal componente do déficit continua sendo o ônus excessivo com aluguel, situação em que famílias de baixa renda gastam parcela elevada do orçamento mensal com moradia. Esse fator supera outros problemas, como habitações precárias e coabitação familiar.

Aluguel pesa cada vez mais no orçamento

Para famílias com renda menor, o aluguel costuma consumir uma fatia significativa do rendimento. Quando somado a alimentação, transporte, energia e outras despesas básicas, sobra pouco espaço para formar uma reserva destinada à entrada de um imóvel.

Esse cenário ajuda a explicar por que muitas famílias permanecem no aluguel por longos períodos, mesmo quando a prestação de um financiamento imobiliário poderia se aproximar do valor mensal pago ao proprietário.

O problema é que a compra exige, em geral, capacidade de comprovar renda, entrada, pagamento de taxas e aprovação de crédito, além de assumir uma dívida de longo prazo.

Juros influenciam valor da prestação

O custo do financiamento imobiliário é diretamente afetado pelas taxas de juros. Quando os juros estão elevados, o valor total pago pelo imóvel aumenta e a parcela pode ficar acima da capacidade de pagamento da família.

Os bancos também avaliam renda, histórico de crédito e percentual de comprometimento mensal antes de liberar o financiamento. Na prática, famílias com renda instável ou informal enfrentam mais dificuldade para conseguir aprovação, mesmo quando conseguem pagar aluguel regularmente.

Minha Casa, Minha Vida foi ampliado

O programa Minha Casa, Minha Vida segue como uma das principais políticas federais para ampliar o acesso à moradia. Em 2026, o programa passou a contemplar famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, ampliando o público que pode acessar linhas de financiamento com condições diferenciadas.

As regras variam conforme a faixa de renda, localização do imóvel e modalidade. Famílias de menor renda podem ter acesso a subsídios maiores, enquanto as demais contam com condições de financiamento específicas.

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também pode ser utilizado, dentro das regras previstas, para pagamento de parte da entrada, amortização da dívida ou redução de parcelas.

Déficit caiu, mas problema continua concentrado entre os mais pobres

A redução do déficit habitacional é um avanço, mas o indicador ainda se concentra de forma desigual. Famílias de menor renda continuam representando a maior parcela das pessoas que vivem em situação de inadequação habitacional ou comprometem excessivamente o orçamento com aluguel.

Além da renda, localização e infraestrutura também pesam. Imóveis com preços mais acessíveis muitas vezes ficam longe dos centros de emprego, escolas, hospitais e transporte público, o que aumenta outros custos da família.

Comprar ou alugar depende de cada situação

Especialistas em finanças pessoais recomendam que a decisão entre comprar e alugar considere não apenas o valor da prestação, mas também o tempo que a família pretende permanecer no imóvel, estabilidade da renda, valor disponível para entrada, juros cobrados e custos adicionais.

Na compra, despesas com documentação, impostos, condomínio, manutenção e eventuais reformas precisam entrar no planejamento. No aluguel, apesar de não haver formação de patrimônio, o morador ganha maior flexibilidade para mudar de cidade ou bairro.

Planejamento pode reduzir risco de endividamento

Antes de assumir um financiamento de longo prazo, é recomendável simular diferentes cenários, verificar o custo efetivo total, comparar bancos e manter uma reserva de emergência.

Também é importante evitar comprometer toda a renda disponível com a parcela. Uma mudança inesperada, como desemprego, doença ou redução de renda, pode transformar o financiamento em uma fonte de endividamento.

Para milhões de brasileiros, portanto, a casa própria continua sendo um projeto de longo prazo. A queda do déficit habitacional mostra avanço, mas os dados indicam que renda, aluguel elevado e acesso ao crédito continuam sendo obstáculos relevantes.

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