Itamaraty emitiu nota oficial contestando as acusações feitas pelo governo americano
(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um posicionamento público contundente para rebater as recentes sanções econômicas anunciadas pelo governo norte americano. A manifestação diplomática ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos decidir aplicar tarifas alfandegárias adicionais que variam de 10 por cento a 12,5 por cento sobre as exportações de dezenas de nações parceiras, incluindo o mercado brasileiro. A justificativa estrangeira alega supostas omissões no combate a mercadorias associadas ao trabalho compulsório.
O Palácio do Itamaraty lamentou formalmente que bandeiras humanitárias legítimas voltadas para a proteção de condições dignas de emprego sejam manipuladas para fundamentar barreiras alfandegárias unilaterais. As autoridades brasileiras lembraram que o país é reconhecido há décadas por órgãos globais, como a Organização Internacional do Trabalho, como uma das principais referências globais no enfrentamento a essa modalidade de exploração de mão de obra.
As regras comerciais e a reação brasileira no mercado internacional
A ofensiva da Casa Branca é respaldada em mecanismos jurídicos internos da legislação comercial americana de 1974, permitindo que a gestão de Donald Trump restabeleça taxações de emergência que haviam sido derrubadas pelo judiciário daquele país. Esse embate se soma a outro anúncio recente de Washington, que ameaça impor uma taxação punitiva de 25 por cento aos produtos brasileiros devido a divergências no comércio digital com a plataforma Pix e questões ambientais.
Como resposta aos prejuízos que podem afetar o mercado internacional, a diplomacia brasileira sinalizou que poderá recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional de forma unânime. Esse dispositivo legal confere ao governo o poder de aplicar penalidades comerciais equivalentes contra blocos econômicos ou nações que criem restrições arbitrárias à entrada de insumos nacionais.
Os negociadores do país ressaltaram que o Brasil possui um arcabouço normativo rígido que confere às autoridades aduaneiras a competência total para confiscar e vetar qualquer entrada de itens produzidos sob condições degradantes. O governo reafirmou que as cláusulas presentes em acordos comerciais celebrados com blocos europeus mantêm o compromisso com os direitos trabalhistas e manifestou a expectativa de que os encargos propostos não saiam da fase preliminar.