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Sex, 11 de Setembro
Polêmico

Brasil contesta Washington sobre barreiras por trabalho forçado

03 jun 2026 - 20h40 Alexsander Arcelino   atualizado às 20h44
Fachada externa do Palácio do Itamaraty com seus arcos tradicionais refletidos no espelho de água em Brasília Itamaraty emitiu nota oficial contestando as acusações feitas pelo governo americano (Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um posicionamento público contundente para rebater as recentes sanções econômicas anunciadas pelo governo norte americano. A manifestação diplomática ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos decidir aplicar tarifas alfandegárias adicionais que variam de 10 por cento a 12,5 por cento sobre as exportações de dezenas de nações parceiras, incluindo o mercado brasileiro. A justificativa estrangeira alega supostas omissões no combate a mercadorias associadas ao trabalho compulsório.

O Palácio do Itamaraty lamentou formalmente que bandeiras humanitárias legítimas voltadas para a proteção de condições dignas de emprego sejam manipuladas para fundamentar barreiras alfandegárias unilaterais. As autoridades brasileiras lembraram que o país é reconhecido há décadas por órgãos globais, como a Organização Internacional do Trabalho, como uma das principais referências globais no enfrentamento a essa modalidade de exploração de mão de obra.

As regras comerciais e a reação brasileira no mercado internacional

A ofensiva da Casa Branca é respaldada em mecanismos jurídicos internos da legislação comercial americana de 1974, permitindo que a gestão de Donald Trump restabeleça taxações de emergência que haviam sido derrubadas pelo judiciário daquele país. Esse embate se soma a outro anúncio recente de Washington, que ameaça impor uma taxação punitiva de 25 por cento aos produtos brasileiros devido a divergências no comércio digital com a plataforma Pix e questões ambientais.

Como resposta aos prejuízos que podem afetar o mercado internacional, a diplomacia brasileira sinalizou que poderá recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional de forma unânime. Esse dispositivo legal confere ao governo o poder de aplicar penalidades comerciais equivalentes contra blocos econômicos ou nações que criem restrições arbitrárias à entrada de insumos nacionais.

Os negociadores do país ressaltaram que o Brasil possui um arcabouço normativo rígido que confere às autoridades aduaneiras a competência total para confiscar e vetar qualquer entrada de itens produzidos sob condições degradantes. O governo reafirmou que as cláusulas presentes em acordos comerciais celebrados com blocos europeus mantêm o compromisso com os direitos trabalhistas e manifestou a expectativa de que os encargos propostos não saiam da fase preliminar.

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