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Economia

Mercado prevê corte de 0,25 ponto na Selic e projeta juros de 12,25% no fim de 2026

16 mar 2026 - 15h09 Joice Gomes   atualizado às 15h11
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Mercado prevê corte de 0,25 ponto na Selic e projeta juros de 12,25% no fim de 2026 Mercado financeiro passou a projetar corte de 0,25 ponto na Selic nesta semana, com taxa básica em 12,25% ao fim de 2026 e inflação de 4,1%. (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O mercado financeiro entrou na semana da nova reunião do Comitê de Política Monetária com a expectativa de que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A projeção marca uma mudança importante no cenário recente, porque indicaria o início de um ciclo de queda dos juros depois de cinco decisões consecutivas sem alteração da taxa básica.

A avaliação aparece no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, com estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Mesmo com o recuo recente da inflação e do dólar, a autoridade monetária havia mantido a Selic inalterada na última reunião, realizada no fim de janeiro, em um contexto de cautela com o comportamento dos preços e com o ambiente externo.

Hoje, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando havia alcançado 15,25% ao ano. Em ata, o Copom sinalizou que poderia começar a cortar os juros na reunião de março, marcada para terça-feira e quarta-feira, desde que a inflação permanecesse sob controle e o cenário econômico não apresentasse surpresas relevantes, embora com manutenção de condições monetárias ainda restritivas.

Revisão nas apostas do mercado

A expectativa do mercado mudou em poucos dias. Na semana anterior, a estimativa predominante era de um corte maior, de 0,5 ponto percentual, mas a alta nas projeções de inflação levou os analistas a reverem esse movimento para baixo.

Entre os fatores citados para essa revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo e aumentou a preocupação com pressões inflacionárias futuras. Em momentos como esse, o Banco Central tende a calibrar com mais cuidado a velocidade de queda dos juros, para evitar que choques externos contaminem as expectativas e dificultem o processo de desinflação.

A nova fotografia do Focus também mostra uma trajetória de juros ainda relativamente elevada ao longo dos próximos anos. Para o fim de 2026, a projeção para a Selic subiu de 12,13% para 12,25% ao ano, enquanto as estimativas para 2027, 2028 e 2029 ficaram em 10,5%, 10% e 9,5%, respectivamente.

Inflação continua no centro da decisão

O comportamento da inflação segue como o principal eixo da decisão do Copom. A estimativa do mercado para o IPCA de 2026 passou de 3,91% para 4,1%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta, mas já próxima do teto permitido.

A meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Na prática, isso significa que, embora a projeção de 4,1% ainda esteja formalmente dentro do objetivo, ela exige atenção maior da política monetária, porque deixa menos espaço para choques adicionais nos preços.

As projeções para os anos seguintes permanecem mais comportadas, em 3,8% para 2027 e 3,5% para 2028 e 2029. Ainda assim, os dados mais recentes mostram que o processo de desaceleração da inflação não está livre de sobressaltos.

Em fevereiro, o IPCA ficou em 0,7%, acima do 0,33% registrado em janeiro, puxado principalmente pelos grupos de transportes e educação. Com isso, a inflação oficial acumulada em 12 meses chegou a 3,81%, sinalizando que os preços seguem em patamar relevante para a condução da política monetária.

Efeitos sobre crédito e atividade

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para tentar levar a inflação à meta. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo desacelera e a poupança se torna mais atraente, o que ajuda a conter a demanda e a reduzir pressões sobre os preços.

No movimento oposto, uma queda da Selic costuma baratear o crédito e estimular produção, investimento e consumo. Esse efeito, porém, não é automático nem uniforme, porque os bancos também levam em conta fatores como risco de inadimplência, margem de lucro e custos administrativos ao definir os juros cobrados de empresas e famílias.

Se o corte esperado nesta semana for confirmado, o gesto terá peso mais simbólico do que transformador no curto prazo. Um recuo de 0,25 ponto sinaliza o começo de uma flexibilização monetária, mas ainda preserva a mensagem de prudência diante de uma inflação resistente e de incertezas externas.

Projeções para PIB e dólar

Além dos juros e da inflação, o boletim Focus trouxe pequena melhora na estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado espera expansão de 2% em cada ano.

O desempenho recente da atividade ajuda a explicar por que o debate sobre juros permanece tão sensível. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária, registrando o quinto ano seguido de crescimento.

No câmbio, a expectativa do mercado é de dólar a R$ 5,40 no fim de 2026 e a R$ 5,47 no encerramento de 2027. A trajetória da moeda norte-americana também é acompanhada de perto porque influencia preços de produtos importados, combustíveis e expectativas inflacionárias em diferentes segmentos da economia.

  • A projeção dominante para a reunião desta semana é de corte da Selic de 15% para 14,75% ao ano.
  • O mercado passou a prever juros de 12,25% no fim de 2026, acima da estimativa anterior de 12,13%.
  • A expectativa para a inflação oficial em 2026 subiu para 4,1%, ainda dentro da meta ampliada, mas perto do teto de 4,5%.
  • O avanço do preço do petróleo em meio à guerra no Irã aparece entre os fatores que elevaram a cautela com os preços.
  • A decisão do Copom deve servir como termômetro para os próximos passos da política monetária e para o custo do crédito no país.
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