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Estreito de Ormuz

Irã fecha parcialmente Estreito de Ormuz durante negociações nucleares com EUA em Genebra

18 fev 2026 - 17h16 Joice Gomes   atualizado às 17h21
Irã fecha parcialmente Estreito de Ormuz durante negociações nucleares com EUA em Genebra Irã anuncia fechamento parcial do Estreito de Ormuz por exercícios militares em pleno diálogo nuclear com EUA. (Imagem: gerado por IA)

O Irã anunciou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz nesta terça-feira (17), poucas horas após o início de negociações indiretas com os Estados Unidos em Genebra, na Suíça. A decisão, justificada por "precauções de segurança" durante exercícios militares da Guarda Revolucionária Islâmica, afeta a principal rota de exportação de petróleo do mundo.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertiu que tentativas americanas de derrubar o regime em Teerã fracassarão, em resposta a declarações do presidente Donald Trump sobre possível mudança de regime. Trump, por sua vez, afirmou estar envolvido "indiretamente" nas conversas e acredita que o Irã busca um acordo para evitar consequências graves.

Contexto das negociações nucleares

As discussões em Genebra, mediadas por Omã, reúnem enviados dos EUA como Steve Witkoff e Jared Kushner com o chanceler iraniano Abbas Araqchi. O foco recai sobre o programa nuclear de Teerã, suspenso após bombardeios de Israel e EUA contra instalações iranianas em junho do ano passado.

Uma autoridade iraniana de alto escalão destacou que o sucesso depende de os EUA evitarem exigências irrealistas e mostrarem seriedade na suspensão de sanções econômicas, que impactam severamente a economia do país. Teerã insiste que seu programa é pacífico, apesar de ter enriquecido urânio próximo ao nível bélico.

  • Enviados americanos e iranianos se reuniram na residência do embaixador omanense na ONU, com forte esquema de segurança.
  • Irã aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas enfrenta acusações de buscar armas atômicas.
  • Israel, não signatário do tratado, mantém política de ambiguidade nuclear.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, com apenas 39 km no ponto mais estreito, é a passagem obrigatória para cerca de 20% do petróleo global, escoado de produtores como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes, Catar e Kuwait. O fechamento parcial, embora temporário, sinaliza o poder de barganha de Teerã em momentos de tensão.

No ano passado, o Irã já ameaçara bloquear a rota em caso de ataques, o que poderia elevar os preços do barril para até US$ 120, segundo analistas. Mercados reagiram com oscilações, mas o petróleo Brent fechou em leve queda para US$ 68,35, refletindo demanda fraca apesar dos riscos.

A medida coincide com exercícios navais da Guarda Revolucionária, reforçando a demonstração de força enquanto as negociações prosseguem. Especialistas alertam que bloqueios prolongados reconfigurariam rotas comerciais e afetariam Ásia e Europa.

  • O estreito liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã, vulnerável a minas, drones e bloqueios navais.
  • Exportações de gás natural liquefeito também seriam impactadas.
  • Preços atuais do petróleo oscilam entre US$ 70 e US$ 75 por barril.

Tensões militares e reações internas

Os EUA reforçaram presença no Oriente Médio com força de combate e porta-aviões como o USS Abraham Lincoln, preparando-se para possíveis operações de semanas. Khamenei ameaçou afundar navios americanos, chamando o exército dos EUA de vulnerável a "um tapa forte".

Desde os bombardeios de junho, o regime iraniano reprime protestos internos contra a crise econômica agravada por sanções, com milhares de vidas perdidas. Trump mencionou os bombardeiros B-2 usados para destruir alvos nucleares, preferindo um acordo diplomático.

Chanceler Araqchi transmitiu posições iranianas sobre nuclear, sanções e estrutura futura de entendimento. Avanços iniciais foram reportados, mas cautela prevalece quanto a um pacto imediato.

  • Protestos no Irã são impulsionados por custo de vida elevado e perda de receitas petrolíferas.
  • EUA exigem limites verificáveis ao nuclear, mísseis e apoio a grupos armados.
  • Irã limita discussões ao nuclear, rejeitando pautas extras.

Impactos econômicos globais e perspectivas

O fechamento parcial do Estreito de Ormuz pode elevar custos logísticos e preços de combustíveis, afetando exportações brasileiras de adubos e commodities. Investidores buscam refúgio em ações de petroleiras como British Petroleum, que subiram quase 2%.

Analistas preveem que negociações prossigam com risco de escalada, dependendo de concessões mútuas. Um acordo suspenderia sanções e limitaria o nuclear iraniano; falhas poderiam levar a novos confrontos militares.

O episódio reforça a delicada balança entre diplomacia e ameaça no Oriente Médio, com o Estreito de Ormuz como peça central. Mercados monitoram Genebra atentamente, enquanto Teerã equilibra pressão e diálogo.

  • 20% do petróleo mundial passa pelo estreito diariamente.
  • Sanções reduzem receitas iranianas, alimentando instabilidade interna.
  • Próximas rodadas dependerão de avanços em princípios centrais.

Especialistas em energia destacam que, apesar da tensão, o Irã historicamente usa ameaças como ferramenta diplomática sem fechamentos totais. A Agência Internacional de Energia Atômica monitora o cumprimento iraniano ao TNP.

Para o Brasil, importador de petróleo e exportador de produtos sensíveis a fretes, flutuações nos preços globais demandam vigilância. O episódio ilustra como eventos regionais reverberam na economia mundial.

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