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Receita Federal admite acesso indevido a dados fiscais de ministros do STF e familiares em investigação da PF

17 fev 2026 - 14h28 Joice Gomes   atualizado às 14h31
Receita Federal admite acesso indevido a dados fiscais de ministros do STF e familiares em investigação da PF Receita Federal reconhece acessos irregulares a dados de ministros do STF e parentes. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Receita Federal admitiu, nesta terça-feira (17), a existência de acessos indevidos a dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A confissão veio após operação da Polícia Federal (PF) que investigou vazamentos de informações sigilosas.

A ação policial, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, sem prisões, mas com medidas como tornozeleira eletrônica e afastamento de funções.

Detalhes da operação policial

A investigação faz parte do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes. Os alvos incluem servidores da Receita Federal, com foco em acessos sem justificativa funcional a declarações de Imposto de Renda e outros registros protegidos por sigilo.

Entre os casos identificados, destaca-se a quebra indevida do sigilo fiscal da advogada Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Também houve acesso não autorizado à declaração de um filho de outro ministro da Corte, o que motivou a expansão da apuração.

  • Mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros.
  • Medidas cautelares: tornozeleira, proibição de saída do país e cancelamento de passaportes.
  • Afastamento imediato de funções públicas para os investigados.

Auditoria interna da Receita Federal

Em nota oficial, a Receita Federal informou que instaurou procedimento investigatório em 11 de janeiro, motivado por reportagens da imprensa. No dia seguinte, o STF solicitou auditoria completa nos sistemas para rastrear acessos dos últimos três anos a dados de cerca de 100 pessoas, incluindo ministros e parentes.

O trabalho envolve análise em dezenas de sistemas e milhares de procedimentos de checagem. A Receita Federal destacou que seus mecanismos são rastreáveis, permitindo detectar e punir desvios na esfera administrativa e criminal. Desvios já confirmados foram reportados diretamente ao relator no STF.

O STF, em comunicado, confirmou múltiplos acessos ilegais, seguidos de vazamentos para terceiros, com o objetivo de gerar suspeitas artificiais. A PF prosseguirá com depoimentos para mapear a extensão dos atos e possíveis motivações políticas ou financeiras.

  • Auditoria cobre acessos nos últimos três anos a dados de ministros, PGR e familiares.
  • Análise em cerca de 80 sistemas, com aproximadamente 8 mil checagens.
  • Relatórios parciais enviados ao gabinete de Alexandre de Moraes.

Medidas de controle e histórico recente

Desde 2023, a Receita Federal reforçou controles de acesso, com restrições de perfis e alertas automáticos. No período, sete processos disciplinares resultaram em três demissões e sanções aos demais envolvidos, demonstrando rigor na fiscalização interna.

O episódio expõe vulnerabilidades no sistema de proteção de dados fiscais, pilar do sistema tributário brasileiro. A Receita Federal reiterou intolerância a desvios e prometeu divulgar avanços conforme a investigação prosseguir.

A operação reforça a importância do sigilo fiscal constitucional, que só pode ser quebrado por ordem judicial. Incidentes como esse afetam a confiança pública nas instituições e demandam transparência total nas apurações.

Impactos e próximos passos

Os vazamentos podem comprometer a segurança de autoridades e gerar instabilidade institucional. A PF investigará se os dados foram vendidos ou usados para fins políticos, ampliando o escopo para redes de distribuição de informações sigilosas.

A conclusão da auditoria, prevista para após o Carnaval, trará relatório final ao STF. Medidas corretivas na Receita Federal incluirão aprimoramentos tecnológicos e punições exemplares, visando prevenir recorrências.

Para o cidadão comum, o caso alerta sobre a proteção de dados pessoais em órgãos públicos. Fortalecer salvaguardas beneficia toda a sociedade, garantindo privacidade e equidade no cumprimento fiscal.

  • Possível motivação política ou financeira em análise pela PF.
  • Depoimentos de investigados marcarão fase inicial da continuidade.
  • Reforço em sistemas de alerta para acessos suspeitos no futuro.

O desdobramento reforça o papel fiscalizador do Judiciário sobre o Executivo. A sociedade espera respostas rápidas e justas, preservando a integridade das instituições democráticas.

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