Estudo aponta que o alinhamento das refeições ao relógio biológico pode favorecer a longevidade.
(Imagem: Canva)
A relação entre o momento em que alimentamos o corpo e a saúde de longo prazo ganhou novas evidências científicas. Um estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition, com dados de mais de 31 mil adultos acompanhados ao longo de décadas nos Estados Unidos, revelou que o horário das refeições e longevidade estão estatisticamente associados. A pesquisa avaliou os momentos de primeira e última ingestão calórica diária e cruzou os hábitos com os registros de mortalidade.
Os resultados apontam que postergar a primeira refeição do dia para horários mais avançados eleva o risco de mortalidade geral e de complicações cardiovasculares. O grupo que ingeriu calorias após o meio-dia apresentou um risco 29% maior de morte por todas as causas e 46% maior por problemas cardíacos quando comparado àqueles que se alimentavam entre 7h e 8h da manhã. A estimativa dos especialistas sugere uma redução média de até 2,46 anos na expectativa de vida para quem começa a comer muito tarde.
O horário do jantar também apresentou variações significativas, desenhando um padrão em curva onde os extremos mostraram-se desfavoráveis. Encerrar a alimentação antes das 19h esteve associado a um risco 13% maior de mortalidade, enquanto realizar a última refeição após a meia-noite elevou essa associação para 27%. O ponto de maior equilíbrio térmico e metabólico observado no modelo situou-se próximo das 20h.
Ritmo circadiano e os fatores analisados no estudo
A explicação para esses achados reside na crononutrição, campo que estuda como o relógio biológico e o ritmo circadiano regulam funções como metabolismo, secreção hormonal e reparação celular. O desalinhamento entre o horário de consumo dos alimentos e o ciclo natural do organismo pode gerar estresse metabólico.
O levantamento considerou variáveis diversas para isolar o impacto dos horários, agrupando as seguintes condições e análises:
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Controle estatístico de idade, práticas de atividade física, tabagismo e renda.
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Consideração do Índice de Massa Corporal (IMC) e da qualidade geral da dieta dos participantes.
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Observação do hábito frequente de pular a primeira refeição em populações urbanas.
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Caráter observacional do estudo, que indica forte associação estatística, mas não relação direta de causa e efeito.
Apesar de não estabelecer uma causalidade definitiva, a análise reforça a importância de manter rotinas alimentares reguladas. Adequar a janela de alimentação ao período diurno surge como um fator complementar relevante para a manutenção da saúde do coração e a preservação da longevidade.