Mapa Brasileiro da Educação Midiática reúne 226 projetos que incentivam o pensamento crítico sobre mídias.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática ganhou destaque ao reunir 226 iniciativas que transformam a forma como estudantes lidam com informações. Lançado pelo governo federal, o projeto destaca ações em escolas e comunidades que ensinam a analisar conteúdos de forma crítica e responsável.
Desenvolvido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com apoio do governo do Reino Unido, parceria do Porvir e cooperação da Unesco Brasil, o mapa oferece uma plataforma interativa acessível a todos. Ele organiza experiências de diferentes regiões, facilitando o compartilhamento de práticas bem-sucedidas.
Um exemplo concreto vem da escola municipal Josué de Castro, em Theobroma, Rondônia. Lá, um estúdio de rádio improvisado permite que alunos da pré-escola ao nono ano do ensino fundamental produzam conteúdos sobre sustentabilidade, saúde e educação.
Origem e lançamento do mapa
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática surgiu de uma consulta pública realizada entre 2023 e 2024, que recebeu 496 inscrições de escolas, universidades e organizações. Em fevereiro de 2026, o governo lançou a plataforma durante um webinário, consolidando as 226 iniciativas selecionadas após curadoria técnica.
A ferramenta permite buscas por região, tema ou tipo de instituição, abrangendo educação básica, superior e ações da sociedade civil. Temas como desinformação, uso consciente de telas, segurança digital, democracia e inteligência artificial ganham foco nessas experiências.
Segundo a Secom, o objetivo é inspirar novas ações e fortalecer redes de educadores. A plataforma já se tornou referência para políticas públicas de letramento midiático no país.
Projetos em destaque pelo Brasil
Na Amazônia, o projeto Rádio na Escola, em Rondônia, usa caixas de som no pátio para disseminar mensagens sobre preservação ambiental e combate à dengue. Alunos gravam programas que chegam às famílias, gerando impacto imediato na comunidade rural de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.
Em São Paulo, a agência Vozes Daqui de Parelheiros forma jovens para produzir conteúdos audiovisuais sobre seu território. No Piauí, o Coar Notícias adota linguagem regional para checagem de fatos, usado em escolas e universidades.
- Rede Mocoronga de Comunicação Popular, no Pará, treina jovens ribeirinhos em produção de conteúdos sobre saúde e cultura local há mais de 30 anos.
- Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em Santa Catarina, promove oficinas de leitura crítica de mídias há 24 anos.
- Educom.Indígena, no Mato Grosso, integra estudantes indígenas e não indígenas em podcasts sobre tecnologia nos territórios.
Inscrições abertas para expansão
Até 16 de março de 2026, educadores, pesquisadores e organizações podem inscrever novas experiências via formulário online. A análise técnica seleciona projetos que promovam análise crítica da mídia, checagem de fatos e produção de conteúdos para cidadania.
A nova edição do Mapa Brasileiro da Educação Midiática sai em junho, ampliando a rede. Thaís Brito, coordenadora de Educação Midiática da Secom, enfatiza a importância de compartilhar práticas diversas e criativas.
Essa segunda chamada busca representatividade em todo o território nacional, fortalecendo o combate à desinformação em contextos educativos variados.
Impactos na educação e sociedade
A educação midiática vai além do aprendizado escolar, preparando cidadãos para navegar em um mundo saturado de informações. Projetos mapeados mostram redução de boatos e maior engajamento comunitário, como na preservação de nascentes em Rondônia.
Parcerias internacionais, como com o Reino Unido e Unesco, elevam o Brasil como referência na América Latina. Iniciativas como o curso gratuito de educação midiática e direitos humanos, com 7.560 vagas, complementam o esforço nacional.
Com a inserção curricular prevista em redes estaduais, o tema ganha permanência. Educadores relatam que alunos se tornam produtores de conteúdo responsável, impactando famílias e vizinhanças.
Os resultados animam a continuidade, com perspectivas de expansão para mais regiões. O mapa não só documenta, mas inspira réplicas de sucesso, contribuindo para uma sociedade mais informada e resiliente contra fake news.
Essa mobilização coletiva reforça o papel da educação na democracia digital, preparando gerações para desafios futuros como inteligência artificial e polarização online.