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Verme zumbi

O despertar do "verme zumbi": organismo de 24 mil anos volta à vida e se reproduz

Cientistas reanimam rotífero congelado há 24 mil anos na Sibéria. O organismo não apenas sobreviveu ao degelo, como voltou a se reproduzir em laboratório.

26 abr 2026 - 20h48 Joice Gomes   atualizado às 20h50
O despertar do "verme zumbi": organismo de 24 mil anos volta à vida e se reproduz O rotífero, apelidado de verme zumbi, foi encontrado em camadas profundas do solo congelado na Sibéria. (Imagem: gerado por IA)

Um animal microscópico que viveu há 24 mil anos, em um mundo dominado por mamutes e frio extremo, acaba de "acordar" em um laboratório moderno. Mais do que despertar, o organismo apelidado de "verme zumbi" surpreendeu a comunidade científica ao retomar suas funções vitais e começar a se reproduzir imediatamente após o descongelamento.

A criatura em questão é um rotífero, um animal multicelular conhecido por sua resiliência em ambientes hostis. Ele foi resgatado das profundezas do permafrost siberiano, em uma região russa chamada Yedoma, onde permaneceu em um estado de suspensão biológica desde o Pleistoceno Superior, a última grande era glacial.

Na prática, essa descoberta prova que a vida complexa possui mecanismos de preservação muito mais poderosos do que se imaginava anteriormente. O estudo, publicado na prestigiada revista científica Current Biology, detalha como esses pequenos seres atravessaram milênios sem sofrer danos celulares fatais.

O segredo por trás da criptobiose

O fenômeno que permitiu essa verdadeira viagem no tempo é a criptobiose. Trata-se de um estado biológico onde o metabolismo do organismo é quase completamente interrompido, como se o botão de "pausa" da vida fosse pressionado. Nesse estágio, o animal resiste a temperaturas congelantes, falta de oxigênio e desidratação severa.

Segundo Stas Malavin, pesquisador principal do projeto, este é o relato mais contundente de que animais multicelulares podem sobreviver por dezenas de milhares de anos nessas condições. Até então, sabia-se que microrganismos simples eram capazes do feito, mas a reanimação de uma estrutura multicelular eleva o patamar da biologia experimental.

O processo de laboratório foi cirúrgico: o rotífero foi descongelado lentamente sob condições controladas. Para a surpresa dos especialistas, o organismo não apenas se moveu, como iniciou um processo de reprodução assexuada, gerando clones de si mesmo milênios depois de seus contemporâneos terem desaparecido.

Por que isso importa agora

Além do fascínio científico, a descoberta acende um alerta sobre as mudanças climáticas. O derretimento acelerado do solo congelado devido ao aquecimento global pode liberar uma vasta gama de organismos antigos que estavam isolados do ecossistema moderno há eras.

Embora a reanimação de um rotífero pareça inofensiva, cientistas ainda não conseguem prever como o retorno desses "viajantes do tempo" afetará o equilíbrio ambiental atual. O impacto biológico de microrganismos pré-históricos interagindo com a fauna e flora contemporâneas é uma variável desconhecida que exige monitoramento rigoroso.

No campo da tecnologia, o estudo abre portas para avanços na criobiologia e até na astrobiologia. Compreender como as células resistem ao gelo profundo pode ser a chave para futuras missões espaciais ou para a conservação de tecidos. No entanto, o sonho de reanimar seres complexos, como mamíferos, continua distante, já que estruturas superiores possuem uma fragilidade celular que a ciência ainda não consegue contornar. O que fica claro é que a vida encontra caminhos para persistir, restando agora descobrir o que mais o gelo está escondendo.

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