Milhares de crianças e jovens participam de atividades de integração e liderança no Aterro do Flamengo.
(Imagem: gerado por IA)
O Aterro do Flamengo, um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro, transformou-se neste domingo (26) em um imenso laboratório de cidadania ao ar livre. Mais de 4,3 mil escoteiros, entre crianças, jovens e adultos, ocuparam o gramado para o Grande Jogo Regional 2026, consolidando-se como o maior evento do calendário fluminense da instituição.
A iniciativa, organizada pela União dos Escoteiros do Brasil Regional Rio de Janeiro (UEB-RJ), não é apenas uma reunião recreativa. Ela marca as celebrações da Semana Escoteira e do Dia Mundial do Escotismo, reforçando o compromisso de gerações com valores que parecem cada vez mais urgentes na sociedade contemporânea.
Realizado tradicionalmente no Aterro desde a década de 1980, o encontro promove uma integração rara. Jovens dos 5 aos 22 anos, vindos de diversas partes do estado, participam de dinâmicas que exigem mais do que força física: demandam criatividade, empatia e prontidão para agir sob pressão em cenários de cooperação.
O impacto prático na formação de novos cidadãos
Na prática, o escotismo funciona como um motor de autonomia e resiliência. O diretor-presidente da Regional RJ, Edinilson Régis, destaca que o método é pautado no protagonismo juvenil. Em vez de apenas ouvir instruções, os participantes são desafiados a resolver problemas reais, desde técnicas de primeiros socorros até a organização logística de acampamentos complexos.
Para as famílias, os resultados são visíveis no comportamento diário e na maturidade emocional. Ellisiane Pereira, mãe do jovem Carlos Henrique, de 12 anos, relata uma transformação profunda no filho após três anos no movimento. Segundo ela, as competências adquiridas no grupo de Copacabana preparam o jovem para ser um cidadão funcional, consciente de seus deveres e habilidades sociais.
Esse sentimento de evolução é compartilhado por quem está na ponta do processo. Bernardo Tavares de Sá, de 17 anos, afirma que o senso de liderança e as amizades construídas ao longo de sete anos de escotismo foram fundamentais para seu crescimento pessoal. É uma rede de apoio que ensina a respeitar limites e a superar obstáculos de forma coletiva.
Como o método escoteiro prepara para os desafios do futuro
O que está por trás dessa estrutura centenária é a chamada educação não formal. Diferente da escola tradicional, o escotismo foca no aprender fazendo. O contato direto com a natureza serve como pano de fundo para lições de sustentabilidade e conservação, temas que Robert Baden-Powell, o fundador do movimento em 1907, já defendia como pilares essenciais da formação humana.
As atividades são divididas por faixas etárias para garantir que o aprendizado respeite o tempo de cada criança. Enquanto os menores, os lobinhos, aprendem através do lúdico e de narrativas fantásticas, os mais velhos assumem responsabilidades maiores, como gerir equipes e tomar decisões estratégicas, cultivando uma independência necessária para a vida adulta.
Ao final do dia, quando os resultados do Grande Jogo são anunciados, o que fica vai além de uma pontuação ou medalha. O movimento escoteiro, presente em mais de 170 países, reafirma sua relevância ao oferecer um contraponto ao isolamento digital, conectando jovens a princípios universais de lealdade e serviço. O impacto desse encontro no Rio de Janeiro ressoará nas comunidades para onde esses jovens retornam, agora mais preparados para transformar a realidade ao seu redor.