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Ter, 06 de Outubro
Indústria musical

Unesco projeta perdas de até 24% nas receitas da indústria musical por causa da IA generativa até 2028

23 fev 2026 - 12h46 Joice Gomes   atualizado às 12h48
Unesco projeta perdas de até 24% nas receitas da indústria musical por causa da IA generativa até 2028 Relatório da Unesco prevê que a IA generativa pode reduzir em até 24% as receitas da indústria musical global até 2028. (Imagem: Rawpick/Freepick)

A Unesco acaba de lançar o relatório Re|thinking Policies for Creativity, quarto da série que avalia políticas culturais mundiais. O estudo alerta para os impactos profundos da indústria musical diante do avanço da IA generativa, prevendo perdas de receitas que podem chegar a 24% até 2028.

Com base em consultas a mais de 120 países, o documento mostra como ferramentas de inteligência artificial saturam plataformas de streaming com conteúdos sintéticos. Isso ameaça não apenas os ganhos financeiros dos artistas, mas também a sustentabilidade do ecossistema cultural, com efeitos em direitos autorais e visibilidade criativa.

Riscos econômicos para música e audiovisual

Na indústria musical, as projeções indicam uma redução de até 24% nas receitas globais provocada pela IA. No setor audiovisual, a perda estimada é de 21%, agravada pela submissão diária de mais de 50 mil faixas geradas por algoritmos em serviços como Deezer e Spotify.

Esses conteúdos automáticos, muitas vezes baseados em imitações de estilos protegidos, competem diretamente com produções humanas. A saturação diminui as chances de descoberta para artistas emergentes, enquanto as receitas digitais, que saltaram de 17% em 2018 para 35% hoje, trazem maior instabilidade aos criadores.

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, defende políticas urgentes para proteger o valor das obras originais. Sem regulamentações, o relatório prevê um mercado dominado por produções baratas e de baixa originalidade.

  • 50 mil músicas por IA enviadas diariamente a plataformas de streaming.
  • Receitas digitais representam 35% do total na indústria musical.
  • Perdas de 24% na música e 21% no audiovisual até 2028.

Desafios globais e desigualdades regionais

A indústria musical enfrenta assimetrias acentuadas pela IA entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Nos países ricos, 67% da população domina habilidades digitais básicas, contra apenas 28% no Sul global, limitando a participação em mercados digitais.

O comércio de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023, mas países em desenvolvimento exportam 46% desses bens e só 20% dos serviços criativos. O financiamento público para cultura, abaixo de 0,6% do PIB mundial, continua em declínio, com apenas 56% dos países integrando metas culturais a planos nacionais.

Plataformas centralizadas controlam recomendações e monetização, opacando talentos locais. A Unesco aponta que só 48% das nações rastreiam o consumo digital de cultura, o que atrasa respostas regulatórias eficazes.

  • 67% de competências digitais em países desenvolvidos versus 28% no Sul global.
  • Financiamento cultural público em queda, abaixo de 0,6% do PIB.
  • 96% dos países ricos apoiam saída de artistas; 38% facilitam entrada do Sul.

Avanços e barreiras para diversidade e gênero

No campo da gênero, a presença feminina em lideranças culturais subiu de 31% em 2017 para 46% em 2024. Ainda assim, o contraste persiste: 64% em nações desenvolvidas contra 30% em desenvolvimento, com visões tradicionais limitando mulheres a papéis de consumo.

A mobilidade artística internacional revela disparidades. Poucos países, apenas 61%, contam com órgãos independentes para fiscalizar o setor cultural, o que restringe intercâmbios para criadores de regiões periféricas.

O relatório baseia-se na Convenção da Unesco de 2005 sobre Diversidade Cultural, que inspirou mais de 8.100 medidas governamentais. O Fundo Internacional para essa Diversidade apoiou 164 projetos em 76 países, focando em música, cinema e outras expressões.

  • Liderança feminina em cultura: 46% globalmente em 2024.
  • 8.100 políticas adotadas sob a Convenção de 2005.
  • 164 projetos financiados em áreas como música e audiovisual.

Recomendações e perspectivas futuras

Para mitigar os riscos na indústria musical, a Unesco recomenda transparência nos modelos de IA, como na Lei Europeia de Inteligência Artificial. Investimentos em dados culturais digitais e curadoria humana são essenciais para equilibrar inovação e proteção.

Sem ações coordenadas, a precariedade crescerá, afetando a liberdade artística e o bem público da diversidade cultural. Governos devem priorizar estatísticas robustas, apoio à mobilidade e parcerias com plataformas para remunerar justamente os criadores.

O apoio da Suécia ao estudo reforça a relevância global do tema. À medida que a IA evolui, políticas adaptáveis serão cruciais para sustentar a indústria musical como motor de desenvolvimento econômico e cultural sustentável.

Essas análises convidam a uma reflexão coletiva sobre o futuro das artes. A preservação da criatividade humana exige equilíbrio entre tecnologia e direitos, garantindo que vozes diversas continuem a ecoar em um mundo digitalizado.

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