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Sanitário

Anvisa alerta para risco de pancreatite associado ao uso de canetas emagrecedoras

09 fev 2026 - 20h58 Alexsander Arcelino
Pessoa aplica caneta emagrecedora no abdômen durante tratamento médico. Anvisa reforça alerta sobre uso seguro de canetas emagrecedoras e risco de efeitos adversos. (Imagem: Canva)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9), em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O aviso envolve fármacos agonistas do receptor GLP-1, amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade.

Entre os medicamentos citados pela Anvisa estão a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Segundo a agência, embora o risco de pancreatite já esteja descrito nas bulas aprovadas no Brasil, houve aumento no número de notificações de eventos adversos, tanto no cenário nacional quanto internacional.

Em nota oficial, a Anvisa destacou que as canetas emagrecedoras devem ser utilizadas exclusivamente conforme as indicações aprovadas e sempre sob prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde habilitado. O objetivo do alerta é reforçar as orientações de segurança diante do uso crescente desses medicamentos fora das recomendações médicas.

Risco de eventos adversos graves

De acordo com a agência, o monitoramento médico é essencial devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda. Em alguns casos, a inflamação pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais, o que exige atenção imediata aos sintomas.

Apesar do alerta, a Anvisa esclareceu que não houve alteração na relação entre risco e eficácia dos medicamentos. Segundo o órgão, os benefícios terapêuticos das canetas emagrecedoras continuam superando os possíveis efeitos adversos quando o uso ocorre dentro das indicações aprovadas e seguindo corretamente as orientações da bula.

O comunicado também menciona que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu um alerta semelhante, apontando um risco pequeno, porém relevante, de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam esses medicamentos.

Dados e medidas adotadas no Brasil

Dados da Anvisa mostram que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso de canetas emagrecedoras no país. Desse total, seis casos tiveram desfecho de óbito sob investigação.

Em junho de 2025, a agência determinou a retenção obrigatória da receita médica nas farmácias e drogarias. Desde então, a prescrição passou a ser feita em duas vias, e a venda só ocorre mediante retenção da receita, procedimento semelhante ao adotado para antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias a partir da data de emissão.

Segundo a Anvisa, a medida foi adotada para proteger a saúde da população, diante do número elevado de eventos adversos associados ao uso desses medicamentos fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica.

Orientações a usuários e profissionais de saúde

A agência orienta que usuários de canetas emagrecedoras procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite.

Já os profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação adversa e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado. A Anvisa também reforça a importância da notificação de eventos adversos no sistema VigiMed, ferramenta utilizada para o monitoramento contínuo da segurança de medicamentos no Brasil.

Nos últimos anos, o órgão já havia emitido outros alertas relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e uma condição rara de perda de visão associada à semaglutida, em 2025.

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