Casal brigando.
(Imagem: Freepik)
Estudos recentes indicam que nas últimas duas a três décadas a taxa de infidelidade entre mulheres tem aumentado, enquanto entre os homens há sinais de estabilidade ou até queda em alguns grupos.
Embora os homens ainda tendam a admitir casos de traição com maior frequência, a diferença entre os gêneros vem se reduzindo gradualmente ao longo dos anos, sugerindo novas dinâmicas nos relacionamentos afetivos modernos.
Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com cerca de 3 mil adultos mostra que 41,5% dos homens entrevistados admitiram já ter sido infiéis, contra 28,6% das mulheres.
Apesar de os homens ainda liderarem os índices de infidelidade, a diferença entre os sexos é menor do que em estudos anteriores, apontando para uma convergência de comportamentos.
Tendências e fatores sociais
Especialistas consultados afirmam que a mudança pode estar relacionada a transformações sociais e culturais que alteraram as expectativas e oportunidades de homens e mulheres em suas vidas afetivas.
A crescente autonomia feminina, maior participação no mercado de trabalho e menor estigma social ligado ao comportamento sexual são fatores que podem influenciar esse cenário.
Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, da Faculdade de Medicina da USP, a infidelidade masculina apresentou uma queda significativa em comparação às décadas anteriores, quando índices de 65% a 70% eram mais comuns em levantamentos anteriores.
Já entre as mulheres, o percentual subiu para quase 30%, refletindo, em parte, uma maior disposição feminina em admitir comportamentos que antes eram mais ocultados ou vergonhosos.
Convergência de comportamentos e percepção pública
Apesar de mudanças nas taxas de admissão de infidelidade, os resultados reafirmam que a monogamia ainda é predominante: a maioria das pessoas que estiveram em relações no último ano reportou ter tido apenas um parceiro, mesmo que metade dos entrevistados tenha declarado já ter sido traída em algum momento.
Análises apontam ainda que parte da variação nos números pode estar ligada à forma como perguntas são feitas nas pesquisas e à disposição dos participantes em relatar comportamentos delicados.
Em estudos com anonimato garantido, mulheres podem estar mais confortáveis em admitir episódios de traição hoje do que em décadas passadas — um reflexo da mudança de normas sociais.
Perspectivas para as relações modernas
O aumento da infidelidade entre mulheres não significa que os homens deixaram de trair, mas que a diferença histórica entre os gêneros diminuiu.
Especialistas afirmam que a tendência sugere uma transformação mais ampla nas relações, onde papéis de gênero tradicionais se tornam menos rígidos, e tanto homens quanto mulheres lidam com expectativas, oportunidades e pressões sociais maiores do que no passado.