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Cotidiano

AGU processa Discord em R$ 500 milhões e acusa plataforma de omitir crimes contra crianças e animais

AGU entra com ação judicial contra o Discord e pede R$ 500 milhões de indenização por falhas graves na proteção de crianças, jovens e animais.

27 ago 2026 - 07h56 Joice Gomes   atualizado às 08h00
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AGU processa Discord em R$ 500 milhões e acusa plataforma de omitir crimes contra crianças e animais Ação histórica contra a plataforma Discord por danos morais coletivos. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Justiça Federal de Brasília contra o Discord, exigindo uma indenização histórica de R$ 500 milhões por danos morais coletivos. A decisão, motivada pela conivência sistemática com crimes graves envolvendo crianças, adolescentes e maus-tratos a animais, marca um ponto de inflexão na regulamentação de plataformas digitais no Brasil.

O processo judicial é o resultado de investigações que expuseram a incapacidade ou recusa da gigante de tecnologia em conter servidores privados utilizados para fins criminosos. Segundo o governo federal, as tentativas de negociação e readequação de conduta foram sumariamente rejeitadas pela plataforma nas últimas semanas.

Com isso, o Brasil assume uma postura mais rígida contra as chamadas 'zonas sem lei' da internet, alinhando-se a movimentos globais de proteção à infância no ecossistema digital.

O que está por trás do processo de R$ 500 milhões

A base da denúncia da AGU reside em dez infrações graves documentadas pelas autoridades policiais. Para cada uma delas, o governo exige uma penalidade de R$ 50 milhões, totalizando o meio bilhão de reais pleiteado judicialmente no país.

De acordo com o ministro da AGU, Jorge Messias, o Discord tem funcionado sob uma proteção insuficiente a grupos vulneráveis, permitindo abusos que violam gravemente a dignidade humana. Na prática, isso muda mais do que parece na relação entre o Estado e as Big Techs.

A recusa da empresa em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi o estopim para a judicialização do caso. Para o governo brasileiro, a soberania nacional e a integridade de seus cidadãos mais jovens não podem ser tratadas como opcionais pelas empresas de tecnologia.

Como a falta de segurança afeta os usuários na prática

O caso mais emblemático que acelerou a reação estatal foi a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo de mais de duas horas. A lentidão da plataforma em derrubar o conteúdo e banir os envolvidos, mesmo após alertas da Polícia Civil, gerou forte indignação nacional.

Além desse episódio trágico, o sistema de monitoramento federal emitiu, desde 2025, mais de 115 relatórios técnicos de inteligência detalhando casos de indução ao suicídio, automutilação e os chamados 'safáris digitais' ocorridos no aplicativo.

O termo, cunhado pelo ministro Jorge Messias, refere-se a comunidades dedicadas à exposição e prática de violências cruéis contra animais. Mas o impacto vai além da omissão: a criptografia ponta a ponta da ferramenta tem sido utilizada como escudo para ocultar essas atividades.

O que pode acontecer a partir disso

A recente sanção presidencial do ECA Digital e da lei que autoriza a 'ronda virtual legalizada' dá novas armas para que a Polícia Federal e outras corporações monitorem de forma ativa esses ambientes. E é aqui que está o ponto central desta disputa jurídica.

A legislação brasileira determina que as empresas de tecnologia não devem esperar uma notificação oficial ou judicial para agir. Elas têm o dever proativo de detectar, remover e comunicar crimes graves diretamente às autoridades policiais.

Caso a condenação de R$ 500 milhões seja confirmada, o mercado digital sofrerá um forte impacto regulatório, forçando outras redes sociais e fóruns a redesenhar seus mecanismos de segurança e verificação de idade para evitar punições severas no Brasil.

O posicionamento do Discord diante das acusações

Do outro lado da disputa, o Discord classificou a ação como 'desproporcional' e negou as acusações de falta de cooperação com as autoridades federais brasileiras. A empresa alega que apresentou propostas concretas para reforçar a segurança digital no país.

Em comunicado oficial, a plataforma argumentou que as atividades ilícitas mencionadas no caso da adolescente envolveram múltiplas redes sociais e que o Discord acabou sendo alvo isolado do debate público. A empresa também afirma que baniu os servidores de automutilação antes do óbito da jovem.

Apesar da defesa corporativa, o avanço do processo sinaliza que o período de autorregulação das plataformas no Brasil está chegando ao fim. O desfecho desta batalha judicial definirá as responsabilidades e os limites da atuação das gigantes digitais em território nacional.

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