Trágico incidente envolvendo cão de patrulha.
(Imagem: Reprodução/Agência Senado)
A morte da veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, confirmada neste sábado (22), chocou servidores do Congresso Nacional e levantou questionamentos urgentes sobre os protocolos de segurança em canis de alta performance. Vitória não resistiu à gravidade dos ferimentos após ser atacada por um cão da raça pastor-belga nas instalações do Senado Federal, em Brasília.
A profissional estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base do Distrito Federal desde a última terça-feira (18), quando ocorreu o trágico incidente. Apesar dos esforços das equipes médicas e de uma cirurgia de emergência, as lesões provocadas pelo animal culminaram em um quadro irreversível.
Em nota oficial, a assessoria de comunicação do Senado Federal manifestou profundo pesar pelo falecimento de Vitória, que atuava como profissional terceirizada no Serviço de Cinotecnia da Casa Legislativa. Entre os anos de 2022 e 2024, ela já havia colaborado com a instituição como estagiária, retornando posteriormente para prestar serviços especializados de cuidados com os animais.
O que está por trás do ataque no canil
O ataque ocorreu de forma repentina enquanto a veterinária desempenhava suas atividades rotineiras. Vitória foi mordida na região do pescoço, o que causou imediata asfixia e uma subsequente parada cardiorrespiratória. Colegas de trabalho agiram rapidamente para conter o animal e prestar os primeiros socorros até a chegada do Corpo de Bombeiros.
Na prática, o ambiente onde ocorreu o incidente não é um canil convencional. O Serviço de Cinotecnia do Senado Federal é responsável pelo treinamento rigoroso de cães de patrulha utilizados pela Polícia Legislativa. Esses animais são preparados para cenários de alta complexidade, incluindo a detecção de explosivos, armas, drogas e intervenção direta em distúrbios civis.
E é aqui que está o ponto central do debate que agora se inicia nos bastidores do Congresso: o nível de risco a que estão expostos os profissionais terceirizados que lidam diariamente com animais de guarda e ataque. O pastor-belga, amplamente utilizado por forças de segurança no mundo todo, é conhecido por sua força, agilidade e mordida de alta pressão.
Como isso afeta a segurança e os servidores
Após a confirmação da tragédia, o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) emitiu uma manifestação de pesar. A entidade expressou solidariedade aos familiares e colocou sua estrutura jurídica e de assistência à disposição dos parentes de Vitória.
Mais do que o luto, a perda da jovem profissional deve acelerar uma rigorosa investigação interna para apurar se houve falhas de infraestrutura ou no cumprimento das normas de manejo. O caso serve de alerta para instituições públicas e privadas sobre a necessidade constante de revisão de procedimentos operacionais padrão no trato de animais de trabalho policial.
O legado de dedicação de Vitória Valle, lembrado por seus colegas como exemplo de amor à profissão, agora se mistura ao clamor por respostas. O desdobramento das investigações do Senado Federal será crucial para garantir que tragédias como esta não voltem a se repetir nos canis da administração pública brasileira.