Segunda etapa da Operação Apertem os Cintos resulta em prisão no Espírito Santo.
(Imagem: Pablo Jacob/ DHPP)
A Polícia Civil de São Paulo intensificou o combate à rede de pedofilia com a deflagração da segunda fase da Operação Apertem os Cintos, nesta terça-feira, 10 de março de 2026. Uma mulher de 29 anos foi detida no Espírito Santo, apontada como coautora de crimes graves contra crianças e adolescentes.
A suspeita respondia por estupro de vulnerável, produção e compartilhamento de material de abuso sexual infantil. As provas incluem mensagens em aplicativos de comunicação e arquivos digitais que comprovam abusos contra uma vítima de apenas 2 anos, conforme encomendas feitas pelo líder da organização.
Os policiais apreenderam o celular da mulher durante a ação policial. O aparelho passa por análise técnica para identificar outros envolvidos e preservar evidências cruciais para o andamento do inquérito.
Origem da operação contra crimes hediondos
A Operação Apertem os Cintos teve início em fevereiro de 2026, com foco em desarticular uma quadrilha especializada em exploração sexual de menores. A primeira fase resultou na prisão de Sérgio Antônio Lopes, piloto comercial de 62 anos lotado na Latam, capturado no Aeroporto de Congonhas.
Considerado o mentor intelectual do esquema, o aeronauta coordenava ações que duravam pelo menos oito anos. Ele foi detido momentos antes de embarcar no voo LA3900 com destino ao Rio de Janeiro, após admitir parte das acusações aos investigadores.
Outras duas detentas completaram o núcleo inicial da rede: uma avó de 55 anos, Denise Moreo, presa em Guararema, e a genitora de vítimas, que facilitavam encontros em troca de quantias modestas, medicamentos ou quitação de aluguéis. O grupo explorava famílias em situação de vulnerabilidade social.
- Piloto usava documentos falsificados para hospedar menores em estabelecimentos hoteleiros.
- Avó de 55 anos entregava netas de 10, 12 e 14 anos para abusos remunerados.
- Mãe das vítimas fornecia registros fotográficos e em vídeo ao esquema criminoso.
- Companhia aérea Latam rompeu contrato com o piloto logo após a deflagração.
Estratégias criminosas e provas colhidas
O líder da rede de pedofilia iniciava contatos com parentes das vítimas, criando laços afetivos para facilitar o acesso às crianças. Ele manifestava preferência por meninas pequenas, oferecendo pagamentos irrisórios por fotos, filmagens ou atos presenciais em motéis da região metropolitana paulista.
A organização funcionava de forma hierarquizada, com divisão clara de tarefas. Enquanto uns captavam as menores, outros registravam os abusos e o chefe gerenciava as demandas via plataformas digitais, garantindo anonimato e agilidade nas transações.
Elementos probatórios incluem conversas eletrônicas, dispositivos eletrônicos e comprovantes financeiros. A operação mobilizou a 4ª Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
- Esquema remunerava atos criminosos com valores entre R$ 30 e R$ 100.
- Documentos adulterados declaravam crianças como maiores de 18 anos.
- Encomendas envolviam produções com bebês e pré-adolescentes.
- Contato inicial ocorria por meio de relacionamentos com familiares.
Consequências e rumos das apurações
A Operação Apertem os Cintos identificou no mínimo 10 vítimas diretas, todas na faixa etária de 10 a 14 anos, embora novas identificações surjam com o exame de equipamentos confiscados. A ação policial retirou de circulação agentes perigosos e preservou a segurança de dezenas de famílias.
As prisões preventivas valem por 30 dias, período destinado à consolidação das provas e interrogatórios complementares. Autoridades destacam o impacto psicológico duradouro sobre as crianças, demandando suporte multidisciplinar para recuperação.
O inquérito prossegue com buscas por ramificações interestaduais, dada a prisão recente fora de São Paulo. Especialistas em segurança pública reforçam que operações integradas diminuem a oferta de conteúdo ilegal e elevam a confiança na denúncia anônima.
- Mínimo de 10 menores confirmados como vítimas do esquema.
- 32 agentes e 14 veículos participaram da etapa inicial.
- Perícias técnicas analisam centenas de gigabytes de dados digitais.
- Expansão possível para outros entes federativos brasileiros.
Casos como esse expõem fragilidades sociais que alimentam a criminalidade organizada contra a infância. A Polícia Civil reitera canais de denúncia sigilosos, como o disque 100 e o site da Secretaria de Segurança Pública, para relatos de suspeitas semelhantes.
A continuidade das investigações promete responsabilizar todos os elos da cadeia delituosa. Medidas protetivas já amparam as famílias afetadas, enquanto o Judiciário avalia denúncias formais contra os indiciados.