Argentina aprovou reforma que permite jornada diária de até 12 horas de trabalho.
(Imagem: Canva)
Enquanto o Brasil debate propostas para reduzir a carga horária semanal e encerrar a escala 6x1, a Argentina segue caminho oposto. O país vizinho aprovou uma reforma trabalhista que permite jornada de 12 horas por dia em determinados modelos de trabalho.
A medida integra pacote defendido pelo presidente Javier Milei e foi aprovada pelo Congresso argentino após intensos debates políticos e protestos sindicais.
A mudança gerou forte reação de centrais trabalhistas, que organizaram greve geral e novas manifestações contra o projeto.
Reforma amplia jornada diária
Antes da alteração, a jornada padrão na Argentina era de oito horas por dia. Com a nova regra, empresas poderão adotar modelos que cheguem a jornada de 12 horas, dependendo do regime de compensação previsto.
Outro ponto da reforma permite que horas extras sejam compensadas em outros períodos, sem necessidade de pagamento imediato em dinheiro, conforme o formato adotado pelo empregador.
O pacote também traz mudanças relacionadas ao direito de greve e às indenizações por demissão, temas que ampliaram a resistência de sindicatos e partidos de oposição.
Justiça argentina reverte suspensão
No fim de março, parte da reforma havia sido suspensa pela Justiça argentina após ação movida por entidades sindicais.
Entretanto, nesta quinta-feira, uma nova decisão judicial revogou a medida cautelar e liberou temporariamente a aplicação das mudanças, incluindo a jornada de 12 horas, até julgamento definitivo sobre a constitucionalidade do texto.
A análise final ainda deve ocorrer em etapas posteriores no Judiciário argentino.
Comparação com debate brasileiro
No Brasil, o cenário atual é diferente. Projetos em discussão no Câmara dos Deputados propõem justamente reduzir jornadas e rever a escala 6x1, considerada desgastante por trabalhadores.
A comparação entre os dois países evidencia visões distintas sobre mercado de trabalho, produtividade e proteção trabalhista na América do Sul.
Enquanto a Argentina flexibiliza regras, o Brasil discute modelos com mais descanso e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.