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Ter, 06 de Outubro
Saúde

Polilaminina avança em testes para lesão medular: esperança realista e próximos passos

08 mar 2026 - 13h05 Joice Gomes   atualizado às 18h37
Polilaminina avança em testes para lesão medular: esperança realista e próximos passos A polilaminina, desenvolvida no Brasil, promete auxiliar na recuperação de lesões medulares grave (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A polilaminina, criada na Universidade Federal do Rio de Janeiro com a farmacêutica Cristália, representa uma das principais apostas atuais para tratar lesões medulares completas. Substância que forma uma rede de proteínas lamininas, ela visa estimular o crescimento de axônios rompidos, restaurando a comunicação entre cérebro e corpo. Após resultados promissores em animais e um estudo-piloto, os ensaios clínicos regulados iniciam agora, gerando expectativa cautelosa na comunidade médica.

Origem e mecanismo da polilaminina

Descoberta há mais de 25 anos pela professora Tatiana Sampaio, a polilaminina surgiu ao observar como moléculas de laminina se agrupam naturalmente em redes. Essas estruturas atuam como guias para axônios, os filamentos nervosos que transmitem impulsos do cérebro para os músculos. Em lesões medulares, onde esses axônios se quebram, a substância pode oferecer suporte para regeneração, algo raro na medicina atual.

Testes em ratos confirmaram potencial regenerativo, levando a um piloto com oito pacientes entre 2016 e 2021. Cinco sobreviventes, que combinaram a injeção da polilaminina com cirurgia de descompressão, recuperaram movimentos mensuráveis pela escala AIS, passando de lesão completa (A) para incompleta (C ou D).

Resultados do estudo inicial e limitações

Um destaque foi Bruno Drummond, tetraplégico após fratura cervical em 2018, que voltou a andar após semanas de tratamento com a substância. Apesar disso, especialistas alertam: até 15% das lesões classificadas como completas evoluem espontaneamente devido a inflamação inicial. Sem grupo controle, os ganhos não provam causalidade direta da polilaminina.

Essa incerteza exige ensaios clínicos formais, aprovados pela Anvisa. A fase 1, com foco em segurança, começa em março com cinco voluntários de lesões agudas torácicas, aplicadas em até 72 horas pós-trauma no Hospital das Clínicas da USP.

Etapas clínicas e desafios regulatórios

Na fase 1, monitora-se tolerância, toxicidade e farmacocinética via exames de sangue e neurológicos. Fases 2 e 3, previstas para dois anos e meio, testarão doses, eficácia e compararão com placebo em estudos duplo-cegos. Desafios incluem o timing curto para aplicação e ética em oferecer o tratamento tardio ao grupo controle.

A Lei 14.874/2024 acelera aprovações, limitando respostas de comitês de ética a 30 dias e Anvisa a 90 dias. Órgãos como Conep e Anvisa supervisionam para equilibrar inovação e proteção aos participantes.

Para Tatiana Sampaio, o sucesso depende de mais investimento público em ciência, reduzindo dependência externa. Se confirmada, a polilaminina mudaria o prognóstico de paralisia, impactando milhões globalmente com maior autonomia e qualidade de vida.

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