Lesões cutâneas características da Mpox em paciente
(Imagem: Canva)
A Mpox voltou ao radar da saúde pública em 2026 após o registro de 88 casos confirmados no país, segundo o Ministério da Saúde. Embora o número esteja distante do surto de 2022, quando houve mais de 10 mil infecções e 14 mortes, autoridades reforçaram o monitoramento e a orientação à população.
Dos 88 casos confirmados de Mpox neste ano, 44 foram contabilizados em apenas cinco dias, o que quase dobrou o total anterior. Além disso, há dois casos prováveis e 171 suspeitos em investigação.
A idade média das pessoas infectadas é de 33 anos, sendo 78 por cento homens cisgêneros. De acordo com o ministério, a maioria dos pacientes apresentou sintomas leves a moderados, sem registros de casos graves ou óbitos até o momento.
Estados com maior número de casos
O estado de São Paulo lidera as notificações, com 63 casos confirmados de Mpox. Em seguida aparecem Rio de Janeiro com 15 registros, Rondônia com quatro, Minas Gerais com três, Rio Grande do Sul com dois, além de Paraná e Distrito Federal com um caso cada.
As secretarias estaduais de saúde informaram que seguem monitorando o cenário epidemiológico de forma contínua, mantendo articulação com redes municipais e unidades assistenciais.
Em Rondônia, o governo estadual destacou que a vacina contra Mpox está disponível pelo Sistema Único de Saúde, mas não integra o calendário de rotina. O imunizante é indicado para grupos com maior risco de exposição ou pessoas vulneráveis.
Sintomas e transmissão
A Mpox é uma infecção viral que apresenta sintomas semelhantes aos da catapora. A principal manifestação é o surgimento de lesões na pele, como bolhas ou vesículas com líquido, que evoluem para crostas.
Outros sintomas incluem febre acima de 38,5 graus, dor de cabeça, linfonodos inchados, dores musculares, dor nas costas e cansaço intenso.
A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões, secreções ou objetos contaminados. Por isso, o isolamento do paciente é recomendado durante o período de infecção.
Tratamento e vacinação
Não existe tratamento específico comprovadamente eficaz contra a Mpox. O antiviral tecovirimat, inicialmente desenvolvido para varíola, tem sido testado em situações específicas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou a importação do medicamento para uso pelo Ministério da Saúde, embora ainda não haja comprovação consistente de benefício em casos leves.
Segundo o diretor do departamento de HIV Aids Tuberculose Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, o atual número de casos é considerado dentro do esperado para o período.
Ele explica que aumentos percentuais expressivos podem ocorrer quando o número absoluto de casos é relativamente baixo. Além disso, o período pós carnaval segue sob observação, já que aglomerações podem favorecer a transmissão.
As autoridades reforçam que, apesar do crescimento recente, o cenário permanece sob controle e não há registro de mortes em 2026.