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Ambiente

Relatório do Cemaden aponta 336,6 mil pessoas afetadas por desastres climáticos em 2025 e prejuízo de R$ 3,9 bilhões

28 fev 2026 - 10h20 Joice Gomes
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Relatório do Cemaden aponta 336,6 mil pessoas afetadas por desastres climáticos em 2025 e prejuízo de R$ 3,9 bilhões Relatório do Cemaden indica que desastres climáticos afetaram 336,6 mil pessoas em 2025. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Brasil fechou 2025 com um retrato mais nítido da escalada dos desastres climáticos: 336.656 pessoas afetadas diretamente e prejuízos econômicos estimados em R$ 3,9 bilhões, segundo o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O documento reúne dados de eventos severos ao longo do ano e relaciona a intensificação desses episódios ao contexto de aquecimento global, que vem elevando a temperatura média e alterando padrões de chuva e seca.

O levantamento descreve um cenário marcado por extremos de diferentes naturezas, com impactos que se acumulam sobre cidades e comunidades vulneráveis. Mais do que grandes tragédias pontuais, o texto indica a repetição de ocorrências que desgastam infraestrutura, pressionam serviços públicos e ampliam perdas para famílias, empresas e governos locais. Nesse contexto, medidas de prevenção e gestão de risco deixam de ser apenas resposta emergencial e passam a ser parte do planejamento básico de políticas públicas.

O relatório também contextualiza 2025 no quadro climático global: foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperatura média 1,47°C acima do nível pré-industrial (1850 a 1900). A elevação do calor, associada a maiores volumes de vapor d’água na atmosfera, tende a favorecer chuvas mais intensas em certos períodos e regiões, ao mesmo tempo em que aumenta a probabilidade de secas severas e ondas de calor em outros momentos.

Panorama dos eventos registrados em 2025

Entre os destaques do ano, o Cemaden contabilizou 1.493 eventos hidrológicos severos. Nessa categoria entram secas intensas, alagamentos, transbordamentos de cursos d’água, cheias, enxurradas e deslizamentos de terra. O predomínio ficou com inundações, enxurradas e deslizamentos, um conjunto de ocorrências frequentemente associado a chuva forte e rápida, com potencial para destruir moradias, interromper vias e colocar pessoas em risco em questão de minutos.

O documento classifica a maior parte dessas ocorrências como de pequeno porte (1.336), além de 146 eventos de médio porte e 11 de grande porte. A leitura desses números sugere que a rotina de incidentes menores pode ter peso semelhante ou até maior do que episódios raros e muito grandes, porque a repetição amplia custos, fragiliza famílias e mantém municípios em estado de resposta quase contínua.

Além dos eventos diretamente ligados a chuva e água, o relatório registra sete ondas de calor e sete ondas de frio no período. Essa alternância reforça a complexidade do desafio: um mesmo território pode enfrentar, em meses diferentes, estresse térmico, escassez hídrica e temporais intensos, exigindo preparação múltipla de saúde, defesa civil e infraestrutura.

  • Em 2025, os desastres climáticos afetaram 336.656 pessoas diretamente e geraram prejuízos estimados em R$ 3,9 bilhões.
  • O Cemaden contabilizou 1.493 eventos hidrológicos severos, com predominância de inundações, enxurradas e deslizamentos.
  • O ano teve sete ondas de calor e sete ondas de frio, indicando alta variabilidade e riscos variados para a população.

Concentração regional e municípios mais expostos

A distribuição das ocorrências revela concentração: a região Sudeste respondeu por 43% dos eventos registrados em 2025. A incidência maior em áreas densamente urbanizadas tende a expor fragilidades de drenagem, ocupação de áreas de risco e saturação de serviços, fatores que podem transformar chuva intensa em emergência com rapidez.

O relatório também chama atenção para o tamanho do contingente municipal sujeito a ameaças recorrentes. Ao todo, 2.095 dos 5.570 municípios brasileiros aparecem como expostos a riscos geo-hidrológicos, o que os coloca como prioridade para ações de prevenção, monitoramento e adaptação. Essa fotografia sugere que o tema não é restrito a poucos pontos do mapa, mas envolve um grupo expressivo de cidades com histórico ou potencial de ocorrências graves.

Entre os exemplos citados, Minas Gerais surge como o estado com maior número de municípios em risco durante períodos chuvosos: dos 853 municípios, 306 seriam suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações. A estimativa apresentada indica perigo para cerca de 1,5 milhão de pessoas, o que ajuda a dimensionar como a exposição territorial pode ser ampla mesmo dentro de um único estado.

  • A região Sudeste concentrou 43% das ocorrências registradas entre os eventos hidrológicos severos em 2025.
  • 2.095 municípios brasileiros são apontados como expostos a riscos geo-hidrológicos e prioritários para prevenção.
  • Em Minas Gerais, 306 municípios são citados como suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, com cerca de 1,5 milhão de pessoas em perigo.

Impactos concretos na vida das pessoas e na economia

Os efeitos dos desastres climáticos vão além do momento do evento. Enchentes e enxurradas podem danificar casas, destruir móveis e documentos, contaminar água e alimentos e interromper o funcionamento de escolas, unidades de saúde e transporte coletivo. Deslizamentos têm potencial de perdas humanas e de destruição de moradias em encostas, enquanto secas prolongadas afetam abastecimento, produção agrícola, geração de energia e preços.

O custo econômico estimado em R$ 3,9 bilhões ajuda a materializar a dimensão do problema, mas não captura tudo: há perdas indiretas, como queda de renda, impactos psicológicos, interrupção de cadeias produtivas e aumento de despesas futuras com reconstrução. Quando episódios se repetem, municípios tendem a gastar mais com resposta emergencial do que com medidas estruturais, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade.

O relatório ainda observa que a capacidade institucional de resposta varia entre municípios. Na prática, isso significa que o mesmo volume de chuva pode ter consequências muito diferentes dependendo de planejamento urbano, qualidade da drenagem, existência de mapeamento de risco, treinamento de equipes, comunicação de alerta e organização de abrigos temporários.

  • Os desastres climáticos impactam moradia, mobilidade, saúde e serviços públicos, com efeitos que podem durar meses após o evento.
  • O prejuízo estimado em R$ 3,9 bilhões em 2025 evidencia perdas diretas, além de danos indiretos que se acumulam na economia.
  • Diferenças na capacidade municipal de resposta influenciam o tamanho do dano e a velocidade de recuperação das comunidades.

O que o relatório sinaliza para os próximos anos

O Cemaden projeta tendência de mais desastres climáticos no horizonte, com ondas de calor mais frequentes e intensas e menos ondas de frio, embora algumas possam ocorrer com intensidade elevada. A leitura do documento sugere que a agenda de adaptação precisa avançar em múltiplas frentes, combinando intervenções estruturais, planejamento territorial e melhoria dos sistemas de alerta.

O relatório reforça a importância de investimentos contínuos em ciência e tecnologia, monitoramento e integração entre conhecimento técnico e gestão pública. Isso inclui ampliar a capacidade de prever riscos, refinar alertas, orientar decisões de obras e reduzir a exposição de pessoas em áreas sujeitas a deslizamentos e inundações.

Para a população, a consequência mais prática de políticas bem desenhadas é reduzir a chance de perdas evitáveis em cada novo episódio. Quando prevenção, fiscalização de ocupação, educação para risco e resposta rápida funcionam em conjunto, os desastres climáticos deixam de ser sinônimo automático de tragédia e passam a ser um risco administrável, com menor dano humano e econômico.

  • A tendência apontada é de maior frequência e intensidade de ondas de calor, com redução do número de ondas de frio, ainda que algumas sejam intensas.
  • O relatório destaca a necessidade de investimento em monitoramento, ciência e tecnologia e integração com políticas públicas.
  • Prevenção e adaptação reduzem exposição e vulnerabilidade, diminuindo danos associados a desastres climáticos.
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