Juiz de Fora e Ubá elevaram o número de vítimas fatais a 36, com buscas por desaparecidos e milhares de desabrigados na região mais chuvosa de fevereiro na história.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Os devastadores temporais que castigaram a Zona da Mata mineira deixaram 36 pessoas mortas até esta quarta-feira (25), com o epicentro da tragédia em Juiz de Fora e Ubá.
De acordo com balanço oficial, Juiz de Fora registra 30 óbitos e 31 desaparecidos, enquanto Ubá lamenta seis mortes e dois sumidos, em meio a um cenário de soterramentos, alagamentos e destruição generalizada.
O mês de fevereiro se tornou o mais chuvoso da história em Juiz de Fora, com 584 milímetros acumulados, superando em mais que o dobro a média climatológica, o que saturou o solo e transbordou rios como o Paraibuna.
Desenvolvimento da crise
Tudo começou na noite de domingo (22), mas os temporais atingiram o pico na segunda-feira (23), quando nuvens carregadas despejaram volumes extremos de água em poucas horas.
Em Ubá, 170 milímetros caíram em apenas três horas e meia, elevando o nível do rio local a 7,82 metros, uma cota jamais vista, o que arrasou bairros ribeirinhos e provocou o colapso de estruturas precárias.
Juiz de Fora viu 20 soterramentos confirmados, com famílias inteiras atingidas por deslizamentos em encostas ocupadas irregularmente, além de mais de 40 ocorrências de risco atendidas pelos bombeiros.
- 30 mortes confirmadas em Juiz de Fora.
- Seis óbitos em Ubá.
- 208 resgates de pessoas ilhadas ou soterradas.
Esforços de socorro em andamento
Centenas de bombeiros, com apoio de cães de busca e drones térmicos, vasculham escombros e rios desde a madrugada, enfrentando lama e instabilidade do terreno que pode prolongar as operações por dias.
O governador Romeu Zema esteve pessoalmente em Juiz de Fora, coordenando a resposta estadual que inclui forças policiais, Defesa Civil e secretarias de assistência social para distribuir água, alimentos e colchões.
As prefeituras locais decretaram calamidade pública, paralisaram aulas e serviços não essenciais, e montaram abrigos emergenciais para abrigar cerca de três mil desabrigados em ginásios e escolas.
- 141 militares do Corpo de Bombeiros mobilizados.
- Luto oficial de três dias decretado pelo governo mineiro.
- Campanhas de doação como 'SOS Zona da Mata' ganham força.
Previsão e medidas preventivas
A Defesa Civil mantém alerta máximo para toda Minas Gerais nesta quarta, prevendo mais pancadas de chuva com até 40 milímetros, ventos fortes acima de 70 km/h e risco de granizo em algumas áreas.
O solo encharcado na região da Zona da Mata permanece crítico até o fim de semana, onde qualquer nova precipitação pode repetir o ciclo de deslizamentos e inundações em áreas já vulneráveis.
Especialistas destacam a necessidade de políticas públicas de longo prazo, como realocação de moradores de encostas, dragagem de rios e sistemas de alerta precoce, para evitar repetições de desastres climáticos agravados pelas mudanças no clima global.
Os temporais não só ceifaram vidas, mas paralisaram a economia local com pontes destruídas, estradas bloqueadas e comércios submersos, exigindo reconstrução que pode levar meses.
- Alerta de tempestades até sábado (28).
- Evacuação imediata de áreas de risco recomendada.
- Canais de emergência: 193 (Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).
Enquanto as buscas prosseguem incansavelmente, a população se une em solidariedade, e autoridades planejam audiência pública para discutir prevenção, reforçando que lições da tragédia devem guiar o futuro da região.