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Polícia Federal

Operação da PF atinge rede de diesel que alimentava garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso

24 fev 2026 - 18h41 Joice Gomes   atualizado às 18h44
Operação da PF atinge rede de diesel que alimentava garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso Polícia Federal atua contra venda ilegal de diesel para garimpos na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. (Imagem: Polícia Federal/Divulgação)

A Polícia Federal desencadeou nesta terça-feira (24) uma ofensiva contra o fornecimento irregular de diesel para garimpos ilegais instalados na Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso. A operação alcançou Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã, com três prisões preventivas e diversas buscas determinadas pela Justiça Federal de Cáceres.

Em uma fazenda estratégica, próxima às frentes de extração, os policiais encontraram estoques de óleo diesel destinados diretamente aos equipamentos pesados dos invasores. A apreensão de 15 mil litros representa um golpe imediato na capacidade operacional dessas atividades criminosas, que dependem do combustível para dragas e escavadeiras.

Escala revelada pela apuração policial

O trabalho investigativo ganhou impulso a partir de vistorias da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com suporte da PF e da Funai. Postos revendedores em Conquista d’Oeste e Pontes e Lacerda, além de propriedades rurais adaptadas como depósitos, formavam a rede de distribuição para os garimpos ilegais.

Dados colhidos mostram que, em apenas 21 meses, o grupo movimentou mais de 4 milhões de litros de diesel para garimpos. Essa volumosa operação logística sustentava não só a mineração predatória, mas também um ecossistema de crimes associados, como tráfico e violência armada no interior da reserva.

  • Território da Sararé abrange 67 mil hectares no sudoeste mato-grossense.
  • Desmatamento garimpeiro consumiu mais de 3 mil hectares nos últimos três anos.
  • Estimativa aponta 2 mil pessoas envolvidas, incluindo facções criminosas conhecidas.

Consequências devastadoras para indígenas

Na Terra Indígena Sararé, etnia Nambikwara enfrenta o avanço implacável do garimpo ilegal, que disparou o desmatamento em 729% entre 2021 e 2024, posicionando a área como a mais afetada na Amazônia Legal. Rios contaminados por mercúrio, solos escavados e florestas dizimadas alteram para sempre o modo de vida tradicional.

Comunidades relatam invasão de forasteiros trazendo bebedeiras, conflitos armados e domínio de organizações como o Comando Vermelho. A caça e a pesca, bases da subsistência, sofreram colapso com a debandada da fauna e a poluição das águas, agravando a insegurança alimentar e as tensões sociais internas.

Esforços prévios, a exemplo da força-tarefa de agosto de 2025 que demoliu 150 máquinas e gerou perdas de R$ 226 milhões, expõem a resiliência dos criminosos. O prazo governamental para erradicação total expira em março de 2026, pressionando por ações mais efetivas.

Estratégia de atacar a cadeia de suprimentos

Interromper o fluxo de diesel equivale a paralisar o coração dos garimpos ilegais, já que sem combustível os maquinários silenciam e as frentes avançam menos. Essa tática policial visa não apenas a interrupção imediata, mas o desmonte econômico das quadrilhas que exploram o ouro ilegal.

A parceria entre ANP, PF e Funai exemplifica fiscalização integrada, unindo regulação de combustíveis à repressão qualificada. Provas reunidas nas ações em curso prometem mapear ramificações adicionais, ampliando o alcance da justiça contra os articuladores do esquema.

  • Prisões em caráter preventivo bloqueiam recomposição rápida da rede.
  • Reservatórios de 15 mil litros foram neutralizados em campo.
  • Possíveis conexões com outros delitos ambientais estão sob análise.

Perspectivas de proteção territorial

O combate ao diesel para garimpos destaca vulnerabilidades logísticas exploradas por criminosos em regiões isoladas, favorecidas por fazendas limítrofes e vias de acesso precárias. Fortalecer a vigilância com tecnologia de satélites e drones surge como prioridade para antecipar invasões.

Para blindar a Sararé, urge um plano abrangente com efetiva presença estatal, demarcações robustas e iniciativas de economia verde para os Nambikwara. Ausência de continuidade arrisca regeneração de redes semelhantes, mantendo o território sob ameaça constante.

Essa operação sinaliza determinação institucional em defender direitos indígenas e patrimônio ambiental, mas demanda fiscalização perene. Monitoramento intensivo prepara terreno para intervenções futuras, rumo à recuperação plena da Terra Indígena Sararé.

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