VLT da CBTU em operação na Estação João Pessoa.
(Imagem: CBTU)
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) desempenha papel estratégico na mobilidade urbana do Nordeste ao operar sistemas ferroviários nas regiões metropolitanas de João Pessoa, Recife, Maceió e Natal. Mais do que transporte, a companhia atua como instrumento de integração social, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.
Criada em 1984, a partir da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a CBTU assumiu a missão de modernizar e administrar sistemas de transporte sobre trilhos voltados ao deslocamento diário da população. No Nordeste, essa atuação conecta bairros populares, áreas industriais e regiões portuárias aos centros urbanos, garantindo acesso mais democrático à cidade.
Trilhos que aproximam pessoas e oportunidades
Em João Pessoa, os trens voltaram a circular no início da década de 1980, ligando a capital a Cabedelo e, posteriormente, a Santa Rita, passando por Bayeux. Atualmente, o sistema transporta cerca de 10 mil passageiros por dia, muitos deles trabalhadores e estudantes que dependem do serviço para acessar emprego, educação e serviços públicos.
Em Maceió, cuja malha ferroviária remonta ao século XIX, a gestão da CBTU consolidou um sistema com forte caráter social e tarifas acessíveis. Já em Recife, a operação acompanha o crescimento da região metropolitana, tornando-se um dos eixos estruturantes do transporte de média e alta capacidade.
Em Natal, o sistema também herdado da RFFSA passa por projetos de modernização e tem potencial para transportar até 1,5 milhão de passageiros por mês, ampliando a oferta de mobilidade na capital potiguar.
Ao atender corredores onde o transporte rodoviário pode ser mais oneroso ou limitado, os trens urbanos funcionam como política pública de inclusão, ampliando o alcance de oportunidades de trabalho e fortalecendo o comércio nas áreas próximas às estações.
Ações sociais e vínculo com as comunidades
Além da operação ferroviária, a CBTU desenvolve iniciativas junto às comunidades lindeiras. Projetos educativos, visitas guiadas, ações culturais e programas de cidadania aproximam o sistema ferroviário da população e reforçam o caráter público do serviço.
Em Maceió, por exemplo, são realizadas “viagens especiais” e atividades culturais que transformam as estações em espaços de convivência. A proposta é fortalecer o vínculo social e valorizar o patrimônio ferroviário como parte da identidade regional.
Sustentabilidade nos trilhos
O transporte ferroviário urbano é reconhecido por sua eficiência energética e menor emissão de poluentes por passageiro, em comparação ao transporte individual motorizado. No Nordeste, a CBTU tem adotado políticas ambientais para tornar a operação ainda mais sustentável.
Em João Pessoa, desde 2015, processos licitatórios incluem critérios ambientais voltados à redução de desperdícios e uso racional de recursos. A unidade também implantou programa de consumo sustentável de água e energia.
Outro destaque é a adoção de energia solar. Desde 2019, as estações João Pessoa e Cabedelo contam com geração fotovoltaica, iniciativa pioneira entre sistemas ferroviários urbanos do Nordeste. A medida reduz custos operacionais e contribui para a diminuição da pegada de carbono.
Mobilidade como ferramenta de desenvolvimento
Ao conectar diariamente milhares de pessoas, os trens da CBTU vão além do deslocamento físico. Eles ampliam o acesso à educação, ao emprego e aos serviços essenciais, ajudando a reduzir desigualdades e fortalecer a integração urbana.
Nos trilhos que cruzam as capitais nordestinas, a mobilidade se consolida como elemento fundamental para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável na região.