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Desaparecimentos

Três em cada dez desaparecidos no Brasil em 2025 foram crianças e adolescentes: 66 casos diários preocupam autoridades e famílias de todo país

31 jan 2026 - 15h09 Joice Gomes   atualizado às 15h11
Três em cada dez desaparecidos no Brasil em 2025 foram crianças e adolescentes: 66 casos diários preocupam autoridades e famílias de todo país Desaparecimentos de crianças no Brasil cresceram em 2025, com 23.919 casos registrados. Saiba os números, causas e ações da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. (Imagem: Instituto do Câncer Infantil/Divulgação)

No ano de 2025, o Brasil registrou um aumento significativo nos desaparecimentos de crianças. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), foram 84.760 casos totais de desaparecidos. Deles, 23.919 envolviam menores de 18 anos, o que equivale a impressionantes 28% do total.

Isso resulta em uma média de 66 boletins de ocorrência por dia só com desaparecimentos de crianças e adolescentes. O número cresceu 8% em relação a 2024, quando houve 22.092 registros nessa categoria. O avanço foi duas vezes maior que o dos casos gerais, que subiram 4% no mesmo período.

Um detalhe que salta aos olhos: entre os menores sumidos, 62% eram meninas. No geral, homens representam 64% dos desaparecidos. Essa inversão no perfil infantojuvenil levanta debates sobre vulnerabilidades específicas de gênero.

Legislação e políticas em ação

Desde 2019, a Lei 13.812 institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Ela define desaparecido como qualquer pessoa com paradeiro ignorado, independentemente da causa. A norma exige respostas rápidas, com integração de dados entre polícias e uso de tecnologias.

Os números de 2025 mostram evolução mista. Houve queda de 14% nos casos de menores em relação a 2019 (27.730 ocorrências), mas crescimento desde 2023 (20.445). O Sinesp tem sido crucial para mapear tendências nacionais com precisão.

Iniciativas como o Alerta Amber, ativo desde 2023 em parceria com plataformas digitais, dissemina alertas em redes sociais. Buscas se concentram em raios de 200 km, acelerando resgates em casos agudos, como os recentes no Nordeste.

Diversidade nas causas dos sumiços

Os desaparecimentos de crianças não seguem um padrão único. Especialistas dividem em voluntários, involuntários, forçados e até estratégicos, como fugas de violência doméstica. Simone Rodrigues, do Observatório de Desaparecimento de Pessoas (ObDes/UnB), enfatiza a complexidade multifatorial.

O Mapa dos Desaparecidos, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela picos nos fins de semana. De sexta a domingo, os registros disparam, coincidindo com maior liberdade de circulação de jovens.

O caso de I.S.B., menino de 10 anos em Curitiba, exemplifica situações comuns. Saiu para brincar, se perdeu e evitou voltar por medo de bronca. Passou noites na rua, dormindo em papelão, até ser achado por um vizinho via redes sociais após três dias.

Estados mais afetados pelo problema

São Paulo concentra o maior volume absoluto: 5.015 casos de menores. Rio Grande do Sul registra 3.102, e Minas Gerais, 2.487. Em proporção por 100 mil habitantes, Roraima lidera com 40 casos, seguido por RS (28) e Amapá (24).

  • São Paulo: 20.546 totais (44,59 por 100 mil habitantes)
  • Rio Grande do Sul: 7.611 (67,75)
  • Minas Gerais: 9.139 (42,72)
  • Paraná: 6.455 (54,29)
  • Distrito Federal: 2.235 (74,58)

O país viu 232 desaparecimentos diários em 2025, recorde em uma década. Sul e Sudeste dominam em números brutos, mas Norte alarma em índices proporcionais.

Impacto nas famílias e caminhos à frente

O pai de I.S.B., o pintor Leandro Barboza, descreve o desespero de vasculhar ruas à noite. Enfrentou julgamentos nas redes e até risco de responsabilização policial. "É uma agonia indizível", resume.

Ele sugere apoio psicológico obrigatório para famílias e capacitação de policiais. Hoje, o menino o acompanha no trabalho para maior segurança, enquanto a madrasta cuida de irmãos, um com autismo.

O ObDes da UnB, criado em 2025 com o Ministério dos Direitos Humanos, gera evidências científicas. Parcerias internacionais, como com a Cruz Vermelha, fortalecem protocolos de busca e prevenção.

Subnotificação ainda é desafio. Muitos casos não chegam às estatísticas por medo ou descrença. Campanhas educativas visam incentivar registros imediatos no Cadastro Nacional de Desaparecidos.

Os desaparecimentos de crianças expõem falhas sistêmicas: falta de bancos biométricos unificados, treinamento insuficiente e estigma social. Meninas somam maioria entre menores, e fins de semana são o período crítico.

Histórias felizes, como a de I.S.B., contrastam com milhares de famílias em luto eterno. Prevenção passa por diálogo familiar, monitoramento comunitário e investimentos públicos urgentes.

Em 2025, os dados do Sinesp acendem alerta vermelho. Com 66 desaparecimentos de crianças por dia, o Brasil precisa acelerar reformas. Unir polícia, sociedade e tecnologia é o único caminho para reverter a curva ascendente.

Famílias pedem empatia, não julgamentos. Leandro alerta: "Não desejo isso a ninguém". Que os números impulsionem ações concretas, transformando estatísticas em resgates e prevenções efetivas.

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