Moradores de Banabuiú, no sertão central do Ceará, enfrentam dificuldades para comprar água
(Imagem: Tv Globo/Print Vídeo)
Moradores de Banabuiú, no sertão central do Ceará, enfrentam dificuldades para comprar água mineral desde 19 de outubro. O comércio do produto foi interrompido depois que fornecedores receberam ameaças atribuídas ao Comando Vermelho (CV), que, segundo relatos, teria exigido autorização da facção para permitir a comercialização na cidade.
A situação levou comerciantes a suspenderem as vendas, após se recusarem a atender à exigência criminosa. Desde então, a população depende de uma operação emergencial organizada pelo Governo do Ceará, com participação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e escolta policial.
O caso foi relatado pelo prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho, em entrevista ao Jornal Nacional. Segundo ele, os comerciantes foram informados de que só poderiam vender água com autorização da organização criminosa.
“Os comerciantes, na verdade, só poderiam vender água com essa autorização. Os comerciantes não cederam”, afirmou o prefeito.
Venda de água mineral em Banabuiú é interrompida após ameaças
A suspensão das vendas começou em 19 de outubro, quando os fornecedores decidiram interromper as transações diante das ameaças recebidas por meio de mensagens no WhatsApp e de redes sociais.
Sem acesso regular aos garrafões comercializados pelos estabelecimentos locais, parte dos moradores chegou a recorrer à água de um açude da região. A alternativa, porém, precisou ser abandonada depois que pessoas passaram mal após consumir água sem tratamento adequado.
O problema afetou diretamente o abastecimento doméstico, especialmente de famílias que dependem da água mineral para beber e não dispõem de outras fontes seguras de consumo.
Governo realiza operação emergencial com escolta policial
Para reduzir os impactos da paralisação, o governo estadual iniciou uma operação de venda de água à população no sábado (31 de outubro). A distribuição conta com a participação da Cagece e é realizada sob escolta policial, como medida de segurança diante das ameaças relatadas.
O atendimento estabelece um limite de dois garrafões por morador. A operação também não oferece entrega em domicílio, diferentemente do serviço que era realizado pelos comerciantes antes da suspensão.
Embora o preço cobrado seja o mesmo praticado anteriormente pelos vendedores locais, os moradores precisam se deslocar até o ponto de atendimento e enfrentar filas para conseguir água.
A operação chegou a ser interrompida por dois dias, mas foi retomada na terça-feira (3 de novembro).
Moradores relatam dificuldades para conseguir água
A necessidade de buscar pessoalmente os garrafões tem provocado reclamações entre os habitantes, principalmente por causa das altas temperaturas e das dificuldades enfrentadas por idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida.
Uma moradora ouvida pelo Jornal Nacional questionou as condições de atendimento e o limite de distribuição.
“Tem idoso, tem criança. A gente tem que ficar em uma fila escaldante, que esse sol é quase 40º C todo dia, para vir aqui pegar 20 litros de água todo dia?”, relatou.
A situação expõe os efeitos da pressão exercida por grupos criminosos sobre atividades comerciais e serviços essenciais. Em Banabuiú, a interrupção das vendas deixou moradores dependentes de uma estrutura emergencial para garantir o acesso à água própria para consumo.
Até a divulgação das informações que embasam esta reportagem, não havia detalhes sobre prisões relacionadas às ameaças nem sobre a previsão para a retomada normal do comércio de água mineral no município.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
Ver todas as publicações