Apresentação de ciranda caiçara celebra a força e a tradição das comunidades locais em Paraty.
(Imagem: Associação de Moradores da Trindade (AMOT)/Divulgação)
A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) se prepara para dar um passo histórico em sua 24ª edição, que ocorre de 22 a 26 de julho. Pela primeira vez, o festival abrigará a Casa Paraty, um espaço planejado exclusivamente para dar voz, palco e visibilidade à rica e resistente cultura caiçara. A iniciativa promete ser um dos grandes diferenciais do evento este ano.
Muito mais do que um ponto de encontro, a Casa Paraty surge como um elo entre gerações, reunindo mestres populares, coletivos juvenis, artistas quilombolas e grupos infantis. O objetivo é criar um espaço dinâmico de troca, onde a tradição oral e a produção criativa contemporânea possam coexistir e se fortalecer mutuamente diante de um público global.
Na prática, isso muda mais do que parece. A chegada desse espaço consolida a importância de descentralizar as narrativas da Flip, trazendo as comunidades locais do papel de espectadoras para o de protagonistas da maior festa cultural da cidade. E é aqui que está o ponto central: a cultura viva se alimenta do movimento e do pertencimento.
O que muda na prática com a Casa Paraty
A curadoria da Casa Paraty desenhou uma programação que vai muito além das apresentações tradicionais. A proposta é integrar a identidade local através de expressões plurais, que vão da tradicional ciranda caiçara e música popular até manifestações contemporâneas, como o hip hop e o audiovisual. Essa mistura mostra que a tradição não está estagnada no tempo, mas se renova constantemente.
Um dos momentos mais aguardados da programação acontecerá no sábado, dia 25 de julho, às 22h, com a apresentação dos Cirandeiros de Paraty. O grupo é peça fundamental na concepção artística do espaço e representa a força da ciranda como uma celebração de convívio, memória coletiva e resistência comunitária típica da região da Costa Verde.
A arte como registro de lutas históricas
A memória social também ganha força física por meio de exposições marcantes. A mostra fotográfica "Trindade: Quando o Território Virou Luta" trará registros históricos do acervo da Associação de Moradores da Trindade (AMOT). As imagens, capturadas entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, revelam a mobilização essencial da comunidade caiçara para proteger suas terras e seu modo de vida.
Além disso, os visitantes poderão apreciar a Galeria de Arte Popular, exposição que reúne obras de artistas locais de diversas gerações. Através de cerâmicas, esculturas, pinturas e fotografias, a mostra consolida a expressão artística paratiense como uma ferramenta vital para o registro histórico e para o nascimento de novas narrativas culturais.
Com essa estreia, a Flip 2026 não apenas celebra a literatura mundial, mas também assume um compromisso definitivo com a salvaguarda de seu próprio território. A Casa Paraty se posiciona como um legado de valor inestimável, provando que o futuro da cultura local depende diretamente do reconhecimento de sua própria história.