Novo guia da ONU Mulheres e Unicef orienta famílias sobre diálogo e prevenção da violência de gênero nas redes sociais.
(Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil)
O ambiente digital de meninos e jovens está sendo moldado por um ecossistema silencioso e altamente sedutor conhecido como machosfera. Para combater essa influência, a ONU Mulheres e o Unicef lançaram um manual estratégico direcionado a pais e educadores.
Batizado de "No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis", o documento surge em um momento em que discursos de ódio e misoginia chegam aos celulares de adolescentes de forma mascarada.
A urgência dessa iniciativa se justifica pela sofisticação dos algoritmos, que entregam conteúdos de aversão às mulheres sob a roupagem inofensiva de vídeos de desenvolvimento pessoal, finanças e musculação.
O que está por trás do avanço da machosfera
De acordo com um levantamento de 2025 realizado pela Revista AzMina e pelo Núcleo Jornalismo, a entrada dos jovens nesse universo hostil ocorre de maneira gradual. O jovem busca dicas de autoajuda e acaba consumindo teorias como a "redpill", que promovem ressentimento de gênero.
Essa transição sutil é o que torna o monitoramento familiar tão desafiador, uma vez que a linguagem e os códigos mudam rapidamente, criando barreiras de comunicação entre as gerações dentro de casa.
Na prática, a proposta da ONU e do Unicef não é a censura punitiva, mas sim o fortalecimento do pensamento crítico e o resgate da conexão familiar através do diálogo aberto.
O que muda na prática para as famílias
O guia oferece ferramentas práticas para que pais identifiquem sinais de alerta no comportamento dos filhos, como o uso repentino de jargões depreciativos ou o isolamento social.
Além disso, o material propõe roteiros de conversas adaptados para diferentes faixas etárias, ensinando como questionar o conteúdo consumido sem gerar conflitos defensivos imediatos.
"Quando os adultos abrem espaço para conversas francas e sem julgamento, mostram aos meninos que respeito e igualdade também são coisa de time", destaca Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.
Por que isso importa agora
O papel da comunidade, das escolas e dos responsáveis é fundamental para oferecer referências saudáveis de masculinidade em uma fase crucial de formação da identidade dos adolescentes.
Como aponta Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, neutralizar estereótipos nocivos e a intolerância de gênero é o primeiro passo para construir relações mais seguras e empáticas no mundo real.
O avanço da machosfera exige uma postura ativa da sociedade. No futuro próximo, o sucesso da prevenção da violência contra mulheres dependerá diretamente da nossa capacidade de dialogar com os jovens hoje, disputando narrativas e oferecendo caminhos onde o respeito seja a verdadeira base do amadurecimento.