Motores de comparação facial baseados em IA são utilizados por quadrilhas para violar sistemas de segurança biométrica de bancos.
(Imagem: Reprodução/Pixabay)
Uma sofisticada tática de fraude de identidade digital está desafiando os sistemas de segurança de bancos e aplicativos financeiros no Brasil. Batizada de golpe do sósia, a estratégia utiliza tecnologia de comparação facial para localizar pessoas reais que compartilham traços físicos extremamente semelhantes aos dos próprios criminosos, facilitando a invasão de contas.
O método foi mapeado pela inteligência analítica da Serasa Experian e acendeu um alerta vermelho no setor de segurança. Ao contrário do crime tradicional, no qual o estelionatário obtém dados de uma vítima específica e tenta se passar por ela, a nova dinâmica inverte completamente essa lógica operacional.
Na prática, o fraudador inicia o processo analisando o próprio rosto. Usando motores de comparação facial, ele faz uma varredura em bancos de dados públicos e privados para encontrar um cidadão comum com traços geométricos quase idênticos aos seus, escolhendo quem será o alvo a partir de sua semelhança física.
Como o golpe do sósia funciona na prática
Com o sósia ideal localizado, os golpistas compram ou extraem os dados pessoais daquela vítima na internet. Munidos dessas informações legítimas, eles tentam abrir contas bancárias ou contratar empréstimos, contando com a alta probabilidade de que seus próprios rostos passem no teste de validação biométrica.
E é aqui que está o ponto central do problema: os sistemas básicos de reconhecimento facial podem ser facilmente enganados por esse grau extremo de semelhança física. Sem camadas adicionais de proteção, a inteligência artificial de autenticação acaba validando a transação criminosa como se fosse o verdadeiro titular.
Esse cenário revela como as mesmas inovações criadas para proteger o usuário estão sendo distorcidas e utilizadas pelo crime organizado para abrir brechas no ecossistema financeiro digital.
Por que isso importa agora e como se proteger
A urgência em torno do tema é justificada pelos números do primeiro semestre de 2026, período em que foram bloqueadas 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no Brasil. Esse volume representa um crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, equivalendo a um ataque contido a cada 5,5 segundos.
Para os consumidores, a melhor defesa começa pela higiene digital básica. Especialistas sugerem alguns cuidados essenciais que fazem a diferença na proteção da identidade online no dia a dia:
- Não compartilhar fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais ou aplicativos de mensagem;
- Fornecer dados biométricos apenas em plataformas e canais oficiais verificados;
- Ativar senhas fortes e o recurso de autenticação em dois fatores em todas as contas e aplicativos;
- Desconfiar de qualquer solicitação repentina de reconhecimento facial recebida por links, e-mails ou mensagens suspeitas.
Para as empresas, o caminho para barrar o golpe do sósia é abandonar o uso da biometria facial isolada. A recomendação clara é adotar uma estratégia de prevenção em camadas que combine a foto do rosto com prova de vida interativa, validação de documentos adicionais e inteligência de comportamento do dispositivo.
À medida que a engenhosidade criminosa avança, a segurança digital deixa de ser um mero recurso acessório e se torna uma barreira viva. A sobrevivência das transações digitais dependerá da rapidez com que as instituições de tecnologia conseguirem prever essas novas fraudes, garantindo que o seu rosto continue sendo a sua assinatura digital mais segura.