Ministério da Saúde amplia tratamentos contra o câncer no SUS e inicia distribuição de testes para rastreamento do câncer colorretal.
(Imagem: Rafael Nascimento/ MS)
O Ministério da Saúde começou a ampliar a oferta de novos medicamentos contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta semana, a rede pública inicia a disponibilização de nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de tumores. A previsão do governo federal é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim de 2026, ampliando as opções de tratamento para pacientes de todas as regiões do país.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa prevê atender 100% da demanda pelos medicamentos incluídos nessa expansão. A medida também busca ampliar o acesso a tratamentos que já tinham aprovação para uso no SUS, mas ainda não chegavam efetivamente aos serviços de saúde.
A oferta faz parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 para ampliar a assistência especializada e reduzir o tempo de espera por diagnósticos e tratamentos. Para organizar a distribuição dos medicamentos, o governo instituiu a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), que estabelece as formas de aquisição e financiamento dos produtos.
Novos medicamentos beneficiam pacientes com diferentes tipos de câncer
Os nove medicamentos contemplam 13 indicações de tratamento e têm previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas. Nesta primeira etapa, 20 centros de tratamento, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, começam a receber os produtos. O Ministério da Saúde pretende ampliar a oferta para os demais centros até o fim do ano.
A lista inclui medicamentos para câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de diferentes tipos de linfoma, leucemia e tumores neuroendócrinos.
Entre os destaques está o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama. De acordo com as informações divulgadas pelo ministério, o medicamento pode custar R$ 366 mil na rede privada. A oferta pelo SUS busca ampliar o acesso de pacientes que precisam desse tratamento.
Outro avanço envolve o trastuzumabe, que já integrava o tratamento do câncer de mama na rede pública e passa a contemplar também pacientes com câncer de estômago ou da junção esofagogástrica. O pazopanibe, por sua vez, amplia as opções para pessoas com câncer renal metastático.
Os tratamentos atuam de maneiras diferentes, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente. Entre os objetivos estão aumentar a sobrevida, melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de retorno da doença em situações específicas.
O investimento anual previsto para a aquisição desses nove medicamentos chega a R$ 155,4 milhões. Para viabilizar a expansão completa, o Ministério da Saúde também assumiu a compra direta de dez medicamentos, organizou mecanismos de aquisição para outros nove e ampliou os repasses destinados ao custeio dos quatro restantes. O impacto financeiro total estimado para os 23 fármacos é de R$ 4 bilhões por ano.
Veja quais medicamentos chegam ao SUS
Os nove medicamentos contemplados nesta etapa e suas respectivas indicações são:
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Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
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Abemaciclibe: determinados casos de câncer de mama precoce, avançado ou metastático.
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Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
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Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
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Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
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Abiraterona: diferentes situações de câncer de próstata, conforme a resposta à hormonioterapia e a presença de metástases.
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Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células em primeira linha de tratamento.
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TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo.
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Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumores estromais gastrointestinais avançados ou metastáticos após falha ao imatinibe.
SUS começa a distribuir 400 mil testes para rastrear câncer colorretal
Além da ampliação dos medicamentos, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para implementar o rastreamento do câncer colorretal na rede pública. A estratégia prevê uma implantação gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início em novembro nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame funciona como uma primeira etapa para identificar pessoas que precisam realizar uma colonoscopia. A estratégia é voltada a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas da doença.
O teste detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O procedimento é simples e permite selecionar os pacientes que precisam de investigação complementar.
Segundo o Ministério da Saúde, o método apresenta precisão de até 92%. Entre as vantagens estão a praticidade, a rapidez na obtenção do resultado e o custo menor em comparação com estratégias que dependem da realização direta de exames mais invasivos.
Com a triagem, a rede pública pretende direcionar as colonoscopias para as pessoas com indicação, evitando procedimentos desnecessários em pacientes com resultado negativo. A iniciativa representa uma nova etapa na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de intestino pelo SUS.
Governo amplia recursos para diagnóstico e tratamento oncológico
O pacote de medidas também prevê mudanças no financiamento de procedimentos e exames relacionados ao câncer. O Ministério da Saúde destinará R$ 46 milhões por ano para custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.
A técnica utiliza pequenas incisões, uma câmera e instrumentos específicos. Por ser minimamente invasiva, pode reduzir o tempo de internação e o risco de complicações após a cirurgia.
O governo também ampliará os recursos para a iodoterapia, tratamento utilizado em casos de câncer de tireoide. O repasse anual passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões, um aumento de 246%.
Outra mudança envolve os pagamentos por procedimentos oncológicos. Os valores de determinados tratamentos com medicamentos intravenosos terão reajuste para até quatro vezes o patamar anterior, enquanto os repasses para medicamentos orais dobrarão, conforme as regras anunciadas.
A atualização também contempla exames de anatomia patológica, como biópsias e análises de peças cirúrgicas. A iniciativa busca fortalecer os serviços de diagnóstico e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.
O Ministério da Saúde ainda prevê investimentos em exames genéticos e testes de biologia molecular, com recursos anuais de R$ 14,5 milhões para procedimentos contemplados pela medida.
Ministério prepara linha de cuidado para câncer infantil
Outra frente anunciada envolve a criação de um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha de cuidado voltada ao retinoblastoma, um tipo de câncer que afeta a retina e atinge principalmente crianças pequenas.
A proposta pretende organizar o atendimento, estabelecer fluxos de encaminhamento e fortalecer o diagnóstico precoce. Um dos principais sinais de alerta é o reflexo branco na pupila, que pode aparecer acompanhado ou não de estrabismo.
O diagnóstico rápido e o tratamento em serviços especializados podem melhorar as chances de sobrevivência e de preservação da visão. Segundo os dados apresentados pelo ministério, a sobrevida global supera 90% quando a doença recebe identificação e tratamento adequados.
O governo também prevê prorrogar até 2031 o incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon). O programa apoia projetos de prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e pesquisa relacionados ao câncer. As inscrições para o edital mencionado pelo ministério seguem abertas até 26 de outubro.
Pollyana Barros Leite integra a equipe de jornalismo, atuando na área de edição de notícias. É formada em Direito e Biologia e possui experiência em produção e edição de conteúdo jornalístico, com ênfase em programas gov...
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