Entre Apostas e Compras Essenciais
(Imagem: imagem produzida por inteligência Artificial)
A rede de supermercados Assaí Atacadista identificou os primeiros sinais de recuperação do consumo no Brasil após a entrada em vigor das medidas que proibiram as apostas esportivas e os jogos online, conhecidos como bets. A melhora foi percebida principalmente em cidades do interior e bairros de menor renda, onde as famílias enfrentam maiores dificuldades para equilibrar o orçamento doméstico.
A avaliação foi apresentada por executivos da companhia durante um encontro com analistas do banco BTG Pactual. Segundo informações divulgadas pela imprensa econômica, a direção da empresa considera que a redução dos gastos com apostas pode estar permitindo que consumidores direcionem uma parcela maior de seus recursos para a compra de alimentos e outros produtos essenciais.
Apesar da perspectiva positiva, ainda não existem dados suficientes para comprovar que a proibição das bets seja a responsável pela recuperação das vendas. A hipótese é acompanhada pelo mercado financeiro, que observa os possíveis reflexos da medida sobre o comércio brasileiro.
Consumidores começam a recuperar poder de compra
O presidente-executivo do Assaí, Belmiro Gomes, o diretor financeiro, Rafael Sachete, e a gerente de relações com investidores, Gabrielle Helu, participaram da reunião com representantes do BTG Pactual.
Durante o encontro, os executivos relataram sinais de melhora no comportamento dos consumidores neste início do quarto trimestre de 2026.
O movimento ocorre depois de um terceiro trimestre considerado desafiador para o varejo alimentar. Diante das restrições financeiras, muitas famílias passaram a substituir produtos tradicionais por alternativas mais baratas, buscando reduzir o valor das compras.
Segundo a administração da rede, esse comportamento começa a perder intensidade, embora continue presente em determinadas categorias, especialmente nos produtos de limpeza.
A possível recuperação ganha relevância porque o setor supermercadista depende diretamente da renda disponível das famílias. Quando o orçamento está comprometido com dívidas ou apostas, as compras de alimentos e produtos domésticos também podem ser afetadas.
Proibição das bets pode beneficiar supermercados e pequenos comerciantes
A proibição das plataformas de apostas de quota fixa foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida determinou o encerramento das operações dessas plataformas no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos online. Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos abrangidos pela proibição deveriam ficar indisponíveis ao público brasileiro.
A expectativa de parte do setor varejista é que recursos anteriormente utilizados em apostas sejam redirecionados para despesas essenciais, pagamento de dívidas e consumo.
Esse possível efeito não se limita às grandes redes. Pequenos supermercados, mercadinhos de bairro, farmácias e outros estabelecimentos também podem ser beneficiados caso ocorra uma recuperação consistente da capacidade de compra da população.
Uma pesquisa do Sebrae, realizada com 1.028 proprietários de pequenos negócios e divulgada em outubro, apontou que 33% dos entrevistados perceberam redução no poder de compra dos clientes. Outros 26% associaram uma queda no faturamento ao crescimento dos jogos online.
Os resultados, entretanto, representam a percepção dos empresários e não comprovam uma relação direta de causa e efeito entre as apostas e a diminuição das vendas.
Relatório não comprova aumento das vendas
Embora as declarações tenham repercutido no mercado, uma análise publicada pelo portal especializado BNLData, que afirma ter consultado o relatório do BTG Pactual de 13 de outubro, identificou uma ressalva importante.
O documento não apresenta números consolidados de vendas referentes ao quarto trimestre, nem indicadores que comprovem aumento do volume de produtos comercializados após o encerramento das plataformas.
Segundo a análise, os executivos trabalharam com a possibilidade de que as restrições estejam contribuindo para a melhora do consumo, sem estabelecer uma relação comprovada entre os dois acontecimentos.
Setor supermercadista acompanha efeitos da medida
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também manifestou preocupação com os impactos das apostas sobre a renda das famílias.
O vice-presidente da entidade, Márcio Milan, afirmou, no início de outubro, que o setor já vinha alertando sobre os efeitos das apostas no orçamento dos consumidores.
A associação também considera necessário combinar restrições com campanhas de conscientização, diante do risco de migração dos apostadores para plataformas clandestinas.
Para os próximos meses, a expectativa é que os indicadores oficiais de consumo permitam avaliar se a redução das apostas terá efeitos duradouros sobre o comércio.
O cenário é acompanhado com atenção pelo setor atacadista, especialmente em regiões onde as famílias possuem menor renda disponível.
A percepção inicial do Assaí representa um sinal positivo para o varejo, mas a confirmação de uma recuperação sustentada dependerá dos próximos resultados financeiros e da evolução do poder de compra dos brasileiros.
Estudante iniciante de Jornalismo com graduando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui mais de 15 anos de experiência na área comercial. Tem interesse em análise de dados, apuração de informa...
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