Deputado estadual eleito por Pernambuco, Emerson Freitas
(Imagem: Foto: Vídeo/Youtube)
A defesa de Emerson Freitas (MDB), jornalista e deputado estadual eleito em Pernambuco, contestou a investigação que apura uma suspeita de extorsão envolvendo o político e afirmou que o procedimento apresenta “graves irregularidades e evidentes nulidades”. A manifestação foi divulgada nesta sexta-feira (30), pelo advogado criminalista Weryd Simões, um dia depois de a Justiça decretar a prisão preventiva do parlamentar eleito.
Em nota publicada nas redes sociais, os representantes jurídicos classificaram as informações divulgadas sobre o caso como “narrativas infundadas” e questionaram a existência de elementos probatórios considerados idôneos para sustentar a investigação.
A defesa também afirmou que Emerson compareceu espontaneamente ao Grupo de Operações Especiais de Pernambuco (GOE-PE), no dia 15 de outubro, mesmo sem ter recebido intimação. Segundo o advogado, naquela ocasião, o deputado eleito se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações.
O caso ganhou repercussão após a expedição do mandado de prisão preventiva contra Emerson, na quinta-feira (29). A decisão judicial também alcançou Rizelly da Silva Santos, que já exerceu funções na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Emerson Freitas: defesa afirma que houve colaboração com a polícia
Um dos principais argumentos apresentados por Weryd Simões diz respeito à postura de Emerson Freitas durante a investigação. De acordo com a nota, o político procurou espontaneamente o GOE-PE em outubro para ser ouvido e esclarecer os fatos.
Na mesma ocasião, conforme a versão apresentada pela defesa, Emerson solicitou acesso integral ao inquérito policial que apura o caso.
O advogado informou ainda que os representantes jurídicos fizeram pedidos de acesso ao procedimento junto à 36ª Promotoria de Justiça e solicitaram habilitação nos autos judiciais. O processo tramita sob segredo de Justiça.
A defesa sustenta que a falta de acesso integral aos elementos da investigação dificulta o exercício dos direitos do investigado e cobra respeito às garantias constitucionais.
Advogado questiona possível vazamento de informações sigilosas
Outro ponto destacado na manifestação é a divulgação de informações sobre a investigação antes de o procedimento ter sido integralmente acessado pela defesa.
Weryd Simões classificou como inadmissível a publicação seletiva de dados relacionados a um processo que está sob sigilo judicial. Para o advogado, a possível divulgação indevida de informações precisa ser apurada pelas autoridades competentes.
“É inadmissível que, enquanto a defesa busca acesso aos elementos da investigação, informações sejam seletivamente divulgadas à imprensa”, afirmou.
Na mesma nota, o advogado declarou que a exposição pública não pode substituir o devido processo legal e defendeu a observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
A defesa também argumentou que a investigação não deve ser associada à atuação político-partidária de Emerson Freitas. Segundo Simões, o parlamentar eleito já denunciou situações que considera abusivas em Pernambuco e não pretende abrir mão de seus direitos constitucionais.
Justiça decretou prisão preventiva de Emerson e de outra investigada
A prisão preventiva de Emerson Freitas foi decretada pela Justiça de Pernambuco na quinta-feira (29), no âmbito da investigação sobre suspeita de extorsão. A decisão também determinou a prisão de Rizelly da Silva Santos.
Rizelly já atuou como secretária parlamentar no gabinete do deputado Alberto Feitosa (PL), tendo sido exonerada da função em 2021. Ela também exerceu o cargo de assistente parlamentar na Alepe, de onde teve a exoneração definitiva formalizada em 2023.
Até a publicação da reportagem do Diario de Pernambuco, a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) não havia informado se os mandados de prisão tinham sido cumpridos. O veículo afirmou que procurou a corporação para obter esclarecimentos, mas não recebeu retorno até aquele momento.
Deputado eleito também responde a outro processo
Além da investigação atual, Emerson Freitas se tornou réu, no início de 2026, em outro processo. O caso envolve a acusação de que ele teria se apresentado falsamente como policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica.
A investigação foi revelada pela Marco Zero Conteúdo. Segundo as informações publicadas pelo veículo, Emerson teria se identificado como “sargento Emerson” e afirmado possuir ligação com a Casa Civil do Governo de Pernambuco.
Durante as apurações desse episódio, a Polícia Civil realizou buscas em um endereço relacionado ao investigado. Na ocasião, foram apreendidas munições de uso restrito, um distintivo policial, um gorro da Polícia Militar e outros objetos.
Esse processo anterior é distinto da investigação atual sobre suspeita de extorsão.
Defesa promete novos esclarecimentos em coletiva
O advogado Weryd Simões anunciou uma entrevista coletiva com a imprensa para esta sexta-feira (30), às 10h, no bairro do Alto do Mandu, no Recife.
A expectativa é que a defesa apresente novos esclarecimentos sobre a investigação, a decisão judicial e os questionamentos levantados na nota pública.